NICOLA PAMPLONA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)
No Porto Sudeste, localizado no Rio de Janeiro, a área que antes seria usada para minério de ferro está sendo transformada em uma instalação para transferir petróleo entre navios, aumentando a capacidade do Brasil para exportar petróleo, que é o principal produto do país.
Um investimento de R$ 180 milhões foi aprovado em 2023 para acompanhar o aumento da produção do pré-sal. Outros portos como o do Açu e a Petrobras também planejam expandir seus terminais de petróleo.
“Até o final da década, o Brasil deve produzir 5 milhões de barris de petróleo por dia”, afirma o CEO do Porto Sudeste, Jayme Nicolato. “Estamos em um local protegido e seguro para realizar a transferência de óleo entre os navios.”
Esse processo, chamado ship-to-ship, é necessário porque os navios que extraem o petróleo das plataformas do pré-sal ficam parados na mesma posição para puxar o petróleo, e são caros para viagens longas até a Europa ou Ásia.
Para voltar rápido às plataformas, esses navios transferem o petróleo a navios comuns em terminais portuários ou no mar. Em 2025, essas operações bateram recordes, acompanhando o crescimento da produção.
A Transpetro, da Petrobras, movimentou 700 mil barris por dia em transferências ship-to-ship, um aumento de 18% em relação ao ano anterior. A empresa Vast, no porto do Açu, movimentou 600 mil barris por dia, crescendo 19%.
Nos primeiros meses de 2026, a produção do pré-sal continuou batendo recordes, elevando também as exportações brasileiras de petróleo.
O Porto Sudeste, originalmente planejado para minério de ferro pelo empresário Eike Batista, revisou sua estratégia e agora planeja dividir sua capacidade entre minério e petróleo, atingindo 50 milhões de toneladas para cada tipo.
Atualmente, são realizadas operações de transbordo no porto, mas a capacidade deve aumentar quando a estrutura para atracação de navios estiver pronta, podendo chegar a 144 operações por ano.
A Vast realizou 229 operações de transbordo em 2025 e iniciou um projeto para aumentar sua capacidade de 1,2 milhão para 1,8 milhão de barris diários.
O porto do Açu possui capacidade para receber superpetroleiros (VLCC), que transportam até 2 milhões de barris, e planeja ampliar seu terminal para suportar mais dessas grandes embarcações, além de investir em armazenamento para as petroleiras.
O Porto Sudeste também recebe superpetroleiros, mas eles não podem sair com os tanques cheios devido a limitações do canal, enquanto o porto da Imetame em Aracruz (ES) pretende atrair esses navios.
O Porto Logística, um novo empreendimento de R$ 2,5 bilhões, firmou parceria com a HGT e pretende crescer no setor de petróleo com um berço para operações ship-to-ship.
A Petrobras está planejando a expansão do Terminal da Baía da Ilha Grande (Tebig), mas enfrenta resistência de ambientalistas e comunidades locais. A empresa está realizando reuniões públicas para avançar no licenciamento ambiental.
Segundo Márcio Guimarães, diretor da Transpetro, a expansão dependerá das conversas com a comunidade, mas pode incluir mais berços para atracação no terminal.
O terminal também é importante para receber petróleo para as refinarias de Duque de Caxias (RJ) e Betim (MG), além de tratar a água produzida nos poços.
Guimarães ressalta que a infraestrutura precisa acompanhar o aumento da produção e que os investimentos devem ser feitos com antecedência para evitar atrasos.
