A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou que a satisfação dos empresários industriais com suas condições financeiras teve um leve aumento de 0,7 ponto, chegando a 47,9 no segundo trimestre. Apesar disso, o índice permanece abaixo da linha que indica otimismo (50 pontos). Os principais obstáculos para um melhor desempenho continuam sendo a alta carga tributária, juros elevados e o custo alto de insumos e matérias-primas.
Os índices relacionados ao lucro operacional e à facilidade de acesso ao crédito também melhoraram, subindo 1 ponto e 0,9 ponto, respectivamente, atingindo 42,9 e 39,9 pontos. Já o preço médio das matérias-primas caiu 2 pontos para 64,1, indicando que, embora o preço tenha diminuído em relação ao trimestre anterior, ainda está alto para os empresários.
Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, ressaltou que os cortes nas taxas de juros foram pequenos e tiveram pouco efeito na melhora das condições financeiras. Ele destacou que os empresários continuam insatisfeitos com a lucratividade e o crédito disponível.
A pesquisa também mostrou que a carga tributária elevada é o principal problema para um em cada três empresários (33,3%) no setor industrial. Em segundo lugar, 31,2% citaram a falta ou o custo alto de matérias-primas, influenciado pelo conflito no Oriente Médio e a instabilidade no cenário internacional.
Além disso, 27,9% dos empresários apontaram as altas taxas de juros como o terceiro maior desafio para o desempenho das empresas, mesmo com os recentes cortes realizados pelo Banco Central.
Em junho, o índice que mede a produção da indústria caiu 0,5 ponto, chegando a 48,4, indicando uma redução da atividade industrial comparado a maio, sendo o pior resultado para o mês desde 2022. O número de empregos também diminuiu, com o índice de evolução do quadro de funcionários ficando estável em 48,2 pontos após variação negativa anterior.
Por outro lado, a utilização da capacidade instalada teve um aumento de um ponto percentual, passando de 69% em maio para 70% em junho, com um crescimento de quatro pontos percentuais no uso da capacidade fabril ao longo do primeiro semestre do ano.
O índice que acompanha o nível de estoques caiu ligeiramente para 49,3 pontos, mas o equilíbrio entre o estoque efetivo e o planejado atingiu 50 pontos, indicando que os estoques voltaram ao nível ideal para a primeira vez em 2026.
Quanto às exportações, após queda em junho, o índice de expectativa de volume exportado subiu 1,3 ponto para 51 pontos.
Já o índice de intenção de investimentos pelos empresários caiu 0,3 ponto para 53,2. Mesmo assim, o indicador segue acima da média histórica, que é 52,6 pontos.
A CNI realizou a pesquisa entre 1º e 10 de julho de 2026, consultando 1.351 empresas, incluindo 548 pequenas, 478 médias e 325 grandes indústrias.
Estadão Conteúdo.
