Francisco Lima Neto
São Paulo, SP (Folhapress)
A Polícia Civil do Rio de Janeiro está realizando uma operação nesta terça-feira (21) contra um grupo especializado em roubar e vender remédios usados para tratar câncer e outros problemas de saúde, agindo em vários estados do Brasil.
Segundo as investigações, esta quadrilha movimentou mais de R$ 33 milhões em um ano. Foram emitidos muitos mandados de prisão e busca contra os líderes e membros do grupo. Até agora, quatro pessoas foram presas, segundo a Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas da Capital, que lidera a ação.
A operação, chamada Metástase, está cumprindo mandados em áreas do Complexo da Maré, na zona norte do Rio, na Baixada Fluminense, além de endereços em São Paulo, Goiás e Pará, com o apoio das polícias locais.
A investigação aponta que o grupo é violento e organizado, focado em roubar remédios que têm alto valor e que são usados tanto em hospitais públicos quanto privados.
Os medicamentos roubados eram depois inseridos em hospitais públicos de todo o país por meio de processos oficiais de compra, chamados tomadas de preços.
Os policiais identificaram vários núcleos dentro do grupo, cada um com uma função específica: os que realizavam os roubos; os que cuidavam do financeiro e logística intermediária; os que finalizavam essa parte financeira; e os que davam suporte territorial.
Foi constatado que a quadrilha cometeu pelo menos 20 crimes semelhantes nos últimos seis meses, movimentando dinheiro por meio de empresas falsas.
Os Produtos Roubados Eram Levados para o Complexo da Maré
Os remédios eram roubados por criminosos armados e levados para áreas do Complexo da Maré, controladas pelo Terceiro Comando Puro, onde eram separados e distribuídos. A facção criminosa fornecia armas e proteção para os responsáveis pelos roubos.
Um núcleo do grupo cuidava de armazenar, separar e direcionar os remédios roubados. Para esconder a origem dos produtos e enviá-los a receptadores em vários estados, os membros usavam empresas falsas, transportadoras e pessoas de fachada.
O grupo também recrutava funcionários das transportadoras para obter informações privilegiadas sobre rotas e cargas.
As investigações mostraram que cerca de 25 empresas falsas eram usadas nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará para movimentar o dinheiro da organização criminosa.
Os remédios eram vendidos para hospitais privados e instituições públicas, por meio de processos oficiais de compra. O grupo oferecia preços mais baixos que o mercado legal e conseguia inserir produtos roubados na cadeia legítima de fornecimento.
O líder do esquema é um homem com longo histórico de envolvimento em roubos de cargas.
Segundo a polícia, o crime representa uma ameaça grave não só ao patrimônio, mas também à saúde pública. Medicamentos usados no tratamento do câncer exigem controle rigoroso de temperatura e armazenamento durante o transporte. Se não forem mantidos em condições adequadas, podem perder a eficácia, se contaminar ou até gerar substâncias prejudiciais.
