O dólar começou o dia em queda, influenciado pelas tensões contínuas entre o Irã e os Estados Unidos. Às 9h47, a cotação da moeda americana estava em R$ 5,070, uma diminuição de 0,35%.
Os mercados estão apreensivos com os recentes confrontos entre os dois países, embora a possibilidade de reinício das negociações ajude a aliviar parte dessa tensão. Nesta terça-feira, o preço do petróleo Brent subiu 1,79%, alcançando US$ 90 por barril.
Na segunda-feira, o dólar fechou em R$ 5,088, enquanto a bolsa brasileira recuou 0,19%, encerrando em 173.371 pontos após variações ao longo do dia.
Esta semana tem uma agenda econômica mais tranquila, fazendo com que o dólar reaja principalmente a notícias políticas e à implementação da tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros, prevista para quarta-feira.
A Guarda Revolucionária do Irã declarou que realizou ataques contra alvos militares americanos em várias regiões do Oriente Médio, após bombardeios americanos em cidades do Irã na noite anterior.
Esses ataques marcam o nono dia consecutivo de confrontos, encerrando um cessar-fogo que havia dado um alívio temporário aos mercados, iniciado no mês passado após disputas sobre o controle do Estreito de Hormuz.
A nova fase do conflito enfatiza a via marítima, essencial para o transporte de cerca de 20% do petróleo consumido mundialmente. O fechamento do Estreito de Hormuz pelo Irã e os ataques a navios petroleiros pressionam os preços do petróleo, que haviam caído para US$ 70 por barril mas voltaram a US$ 90 recentemente.
Tanto os EUA quanto o Irã demonstraram interesse em retomar negociações visando um cessar-fogo.
Um alto funcionário iraniano informou à agência Reuters que mediadores apresentaram uma proposta para um cessar-fogo de dez dias, na tentativa de retomar o acordo provisório do mês passado.
O governo do presidente Donald Trump também mostrou uma disposição cautelosa para novas negociações. Marco Rubio, chefe da diplomacia americana, afirmou que estariam abertos a essa possibilidade, mas ressaltou que o comportamento do Irã precisa mudar.
Apesar dos sinais de diálogo, o conflito se intensifica. Os houthis do Iêmen, aliados do Irã, declararam um bloqueio naval à Arábia Saudita, ampliando os riscos para o abastecimento mundial de energia além da região do Golfo.
No Brasil, investidores analisam o Boletim Focus, que apresenta uma leve redução na previsão de inflação para 2026 pela terceira semana consecutiva, porém em um ritmo menor.
Analistas consultados pelo Banco Central esperam que o IPCA termine o ano em 5,15%, uma pequena queda em relação à semana anterior.
Embora a previsão para a inflação tenha diminuído, ela ainda está acima do limite da meta, que é de 3% com uma margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.
A expectativa para a taxa Selic em dezembro permanece em 14% ao ano, ligeiramente inferior ao nível atual de 14,25%.
Os mercados americanos também estão em foco, com a recuperação de ações de empresas de chips e semicondutores mitigando perdas recentes, mas sem impulsionar significativamente os principais índices.
A atenção dos investidores também está voltada à temporada de resultados de grandes empresas como Alphabet, Tesla, IBM e Intel, que devem influenciar o mercado nos próximos dias.
