A Operação Janus, realizada pelo Ministério Público de São Paulo em 21 de março de 2025, revelou indícios de que membros financeiros do Primeiro Comando da Capital (PCC) mantinham relações próximas e de amizade com coronéis da Polícia Militar, incluindo Luiz Carlos Pereira Martins, José Augusto Coutinho – ex-comandante da PM e da Rota – e um indivíduo conhecido como Patrício, mencionado em documentos da facção criminosa.
O jornal Estadão solicitou comentários dos coronéis por meio da assessoria de imprensa da PM do Estado de São Paulo, buscando também contato direto com os envolvidos. Até o momento da operação, os ex-líderes da corporação citados não são alvos diretos da investigação.
As evidências surgiram a partir de mensagens trocadas entre os operadores financeiros do PCC. De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), essas comunicações indicam que Cléber Azevedo dos Santos, Paulo Rogério Silva (apelidado de “Paulo Barão”), e Leonardo Meirelles, com o auxílio de Robson Martins de Souza e outros colaboradores, forneciam serviços de lavagem de dinheiro para líderes da facção, incluindo Leonardo Monteiro Moja (“Léo do Moinho”), preso em agosto de 2024 durante a Operação Salus et Dignitas.
Em uma das conversas analisadas, Cléber Azevedo dos Santos pediu a Amjad Ahmad informações sobre os recursos do esquema, mencionando que precisava do dinheiro para “pagar a polícia”.
Foi identificado que Cléber Azevedo dos Santos e Robson Martins de Souza mantinham contato frequente com os coronéis Pereira Martins, José Augusto Coutinho e Patrício.
Grupo ‘Aniversário General’
O Gaeco descobriu que Cléber Azevedo dos Santos e Robson Martins de Souza mantinham uma relação de amizade com o coronel Pereira Martins, mesmo após Cléber ser alvo de grandes operações policiais, como a Operação Fractal no final de 2022.
Ambos faziam parte de um grupo no WhatsApp chamado “Aniversário General”, ativo até pelo menos novembro de 2023, onde compartilhavam mensagens pessoais e sociais, indicando uma relação próxima além dos contatos casuais.
Investigações também apontam que Pereira Martins estaria disposto a ajudar os investigados e facilitar contatos com outras autoridades.
Foi encontrada uma anotação sobre um pagamento em dinheiro de R$ 1.000 ao coronel “Patrício”, que, segundo a investigação, vinha de um esquema de propina conhecido como “ticketagem”, descoberto na Operação Bazaar.
Este esquema consiste em pagamentos em dinheiro vivo, documentados falsamente como compras de vales-refeição ou favores dados por policiais.
A Operação Janus
O Gaeco mira pessoas suspeitas de movimentar grandes quantias de dinheiro para o PCC, por meio de entregas em espécie, transferências bancárias e o uso de empresas e contas fictícias.
A investigação também mostra que alguns dos alvos participavam de reuniões para resolver disputas financeiras internas, conhecidas como “tribunais do crime”.
Além das prisões, a Vara Estadual de Organizações Criminosas determinou o bloqueio de contas bancárias, imóveis, veículos e outros bens dos investigados, chegando a bloquear ativos financeiros de até R$ 10 milhões por pessoa, além de impor restrições a empresas ligadas ao esquema financeiro.
Conteúdo por Estadão.
