O médico legista Luiz Carlos Leal Prestes, responsável pelo exame do corpo do menino Henry Borel, de 4 anos, declarou que a criança teve uma morte lenta e dolorosa. Ele afirmou que Henry sofreu bastante até sucumbir.
A continuação do julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, e da mãe de Henry, Monique Medeiros Costa e Silva, está em andamento no Tribunal do Júri no Rio de Janeiro. Ambos são acusados de homicídio qualificado, tortura e outros crimes relacionados à morte do menino.
Segundo o perito, Henry chegou ao hospital Barra D’Or em estado grave, aparentando já estar morto. Ele destacou que as lesões encontradas no corpo são resultado de agressões, não havendo relação com as manobras de reanimação feitas no hospital. Prestes afirmou que as lesões externas, incluindo lacerações no fígado e múltiplos ferimentos, indicam que a morte foi causada por espancamento e não por um acidente doméstico.
O médico também revelou que a temperatura corporal do menino na chegada ao hospital sugere que a morte ocorreu entre duas e três horas antes do atendimento médico. Ele detalhou que as 17 lesões externas, inclusive na cabeça, são incompatíveis com uma única queda e que Henry sentiu muita dor e sofrimento antes de morrer.
A defesa de Dr. Jairinho contesta as acusações, alegando que os ferimentos foram causados por procedimentos médicos no hospital, mas o perito descartou essa tese durante seu depoimento.
No curso do julgamento, Monique Medeiros precisou deixar a sessão momentaneamente após se abalar com as imagens das lesões de seu filho exibidas no plenário. O julgamento continua com a expectativa de ouvir outras testemunhas importantes.
Além do depoimento do perito, estão previstos os testemunhos do médico legista Luiz Airton Saavedra de Paiva e de Leniel Borel, pai de Henry. Ao todo, 27 pessoas foram convocadas para testemunhar no tribunal.
Após o depoimento das testemunhas, acontecerão os interrogatórios dos acusados e os debates finais antes da decisão do Conselho de Sentença.

