A inadimplência no Brasil tem aumentado principalmente entre grupos específicos como mulheres, jovens e pessoas com baixa renda. Esses grupos enfrentam maiores dificuldades tanto no volume das dívidas quanto nas condições de crédito oferecidas.
Distribuição do endividamento por gênero e renda
Os dados indicam que 51,40% dos inadimplentes são mulheres, enquanto os homens correspondem a 48,60%. Essa predominância feminina é mais significativa ao se considerar fatores como renda média, participação no mercado de trabalho e responsabilidades financeiras dentro dos lares.
Pessoas com menor renda e beneficiárias de programas sociais encontram mais restrições ao acessar crédito, muitas vezes recorrendo a opções mais caras. Por exemplo, as taxas de juros anuais médias para mulheres negras alcançam 140%, o nível mais alto entre os grupos pesquisados, ao passo que homens brancos enfrentam taxas próximas de 97%.
Inadimplência entre os jovens e uso do cartão de crédito rotativo
Os jovens apresentam taxas de inadimplência mais elevadas que adultos e idosos, sobretudo aqueles com menor renda. Entre jovens que ganham até dois salários-mínimos, 17,4% estavam endividados em 2024.
O uso do cartão de crédito na modalidade rotativa, que possui juros elevados, é comum entre os inadimplentes, caracterizando uma forma de manutenção ou aumento da dívida devido ao custo dessa linha de crédito.
Diferenças regionais e impacto do crédito caro
A inadimplência cresce de forma desigual pelo país, com as maiores altas no Norte e também aumentos notáveis no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. A concentração da inadimplência em grupos que enfrentam menor renda e maior instabilidade econômica evidencia as dificuldades enfrentadas para obter crédito em condições favoráveis.
Mulheres, que em geral recebem salários menores e têm mais responsabilidades domésticas, acabam sendo as mais afetadas por essas condições. A dependência do crédito rotativo, modalidade mais cara, tende a aumentar a dívida e estender o período de inadimplência.
Iniciativas do governo para aliviar o endividamento
O governo federal planeja implementar medidas para facilitar o acesso a crédito com juros menores e ajudar na reorganização das dívidas. Dentre as estratégias estão o estímulo ao uso de crédito consignado e o uso do saldo do FGTS como garantia.
Além disso, programas de renegociação de dívidas buscam reduzir a inadimplência por meio de descontos e condições facilitadas, facilitando a reinserção dos consumidores no mercado de crédito.
Também são consideradas ações para reduzir o custo do crédito no Brasil, atualmente em patamares elevados, por meio de maior concorrência no setor financeiro e aprimoramento das garantias oferecidas.
Para a equipe econômica, os altos juros ainda são um dos principais obstáculos à redução do endividamento, e as soluções combinam alívio imediato com mudanças de médio prazo para tornar o crédito mais acessível e sustentável.
