JOSÉ HENRIQUE MARIANTE
HANNOVER, ALEMANHA (FOLHAPRESS)
Em Hannover, durante a abertura da Hannover Messe, a maior feira industrial do mundo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou neste domingo (19) que a União Europeia mantém “informações incorretas” sobre o agronegócio do Brasil, setor que em parte não apoia seu governo.
Lula discursou no evento que oficialmente começa na segunda-feira (20). O Brasil é o país homenageado pela segunda vez na história da feira. A primeira foi em 1980, quando Lula estava preso pela ditadura militar por liderar greves no ABC paulista, movimento que envolveu empresas alemãs e projetou sua atuação sindical. “Foi exatamente em 19 de abril”, recordou o presidente, aplaudido pelos presentes entre industriais e executivos.
No discurso, Lula mencionou as barreiras comerciais adotadas pela União Europeia contra os biocombustíveis brasileiros. “O Brasil pode ajudar a Europa a reduzir custos com energia e a se tornar mais sustentável. Para isso, é fundamental que as regras respeitem a matriz energética limpa que usamos na produção”, afirmou.
O presidente ainda enfatizou a necessidade de combater essas narrativas falsas sobre a agricultura sustentável no Brasil.
“Impor novas barreiras aos biocombustíveis é ruim tanto para o meio ambiente quanto para o setor energético”, ressaltou, referindo-se às negociações ainda iniciais sobre o tema.
Recebido com honras pelo primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, Lula lembrou os choques do petróleo dos anos 1970 que estimularam o Brasil a criar o programa Pró-Álcool. “Em 1980, nesta feira, a Volkswagen e a Mercedes apresentaram motores a etanol”, recordou, provocando aplausos.
O presidente destacou ainda a importância dos biocombustíveis para a matriz energética brasileira, que é predominantemente limpa, e citou o acordo entre União Europeia e Mercosul, que entrará em vigor em maio.
“Já misturamos 30% de etanol à gasolina e 15% de biodiesel. Produzimos biocombustíveis de forma sustentável, sem prejudicar o plantio de alimentos ou derrubar florestas”, explicou, abordando a divergência histórica com os europeus sobre o conceito de energia sustentável.
A importação de biocombustíveis pela União Europeia é limitada por questões ambientais, assim como a Moratória da Soja, agora abandonada por algumas grandes empresas no Brasil, era considerada um mecanismo vital para proteger o meio ambiente.
Lula destacou que o governo se comprometeu a alcançar o desmatamento zero até 2030. “Nos últimos três anos, conseguimos reduzir em 50% o desmatamento na Amazônia e em 32% no cerrado”, afirmou.
Na segunda-feira (20), Lula visitará oficialmente a feira ao lado de Friedrich Merz. À tarde, após reuniões de alto nível entre os países, o presidente brasileiro visitará a sede da Volkswagen em Wolfsburg, acompanhado de líderes sindicais.
A viagem do presidente à Europa, que começou em Barcelona na semana passada, termina na terça-feira com uma parada em Lisboa.
