Investigadores da 26ª Delegacia de Polícia, em Samambaia, descobriram que uma padaria usada por uma organização criminosa no Distrito Federal funcionava também como ponto para fracionar drogas, utilizando a mesma balança que servia para pesar pães. A Polícia Civil do Distrito Federal revelou a existência de um esquema sofisticado de tráfico e lavagem de dinheiro por trás dessas atividades aparentemente legais.
Além da padaria, a organização mantinha estabelecimentos como distribuidoras de bebidas e quiosques, que serviam para armazenar, dividir e vender entorpecentes em Samambaia e Ceilândia.
Esses comércios permitiam ao grupo operar sob a aparência de legalidade, dificultando a ação da polícia e reduzindo suspeitas. Enquanto clientes compravam produtos comuns, o tráfico acontecia de forma paralela e silenciosa. Os lucros eram lavados por transferências via Pix para contas de terceiros, conhecidos como “laranjas”, dificultando a identificação financeira.
Operação Eiron e o combate ao tráfico
Com base nas evidências, a Polícia Civil deflagrou a Operação Eiron, mobilizando cerca de 200 agentes que cumpriram 39 mandados judiciais, incluindo prisões preventivas e buscas. A ação teve como objetivo desarticular uma organização criminosa armada envolvida com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro na região da QR 421 e áreas próximas.
O grupo fazia uso de tecnologia para divulgar “cardápios” de drogas em redes sociais, negociava por aplicativos de mensagens e realizava entregas pelo modelo delivery. Para evitar a fiscalização, os entorpecentes eram escondidos em embalagens de fast-food, simulando pedidos comuns. Substâncias como crack, cocaína, haxixe, maconha em diversas versões e lança-perfume eram comercializadas.
Apoio social para controlar a comunidade
Além do tráfico, a organização promovia ações sociais para conquistar a comunidade, inspirando-se em facções como o Terceiro Comando Puro (TCP). Eles realizavam festas, distribuiam cestas básicas e alimentos em datas comemorativas, financiados com recursos do narcotráfico para garantir o silêncio da população e dificultar denúncias, criando uma falsa imagem de benevolência.
Uma marca usada pela facção, a estrela de Davi, foi pintada em casas e muros de Samambaia, indicando tentativa de domínio territorial e conexão com o criminoso Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como “Peixão”, sugerindo influência do TCP carioca no Distrito Federal.
Violência e consequências legais
Apesar da aparência de normalidade na comunidade, a investigação revelou um cenário de violência extrema. Membros do grupo ostentavam armas de grande calibre e praticavam agressões severas. Um usuário de drogas foi brutalmente espancado em um exemplo do chamado “tribunal do crime”.
Em fevereiro de 2026, um investigado foi encontrado morto no Lago Paranoá, sob circunstâncias ainda investigadas. Os envolvidos responderão por tráfico de drogas, organização criminosa armada e lavagem de dinheiro, com penas que podem ultrapassar 35 anos de prisão.
