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quarta-feira, 06/05/2026

Nova terapia por injeção mostra avanços no tratamento da surdez

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SAMUEL FERNANDES
FOLHAPRESS

Pesquisadores desenvolveram um tratamento inovador usando injeção para ajudar pessoas que nascem com surdez. Dez pacientes participaram do estudo e após a aplicação da terapia apresentaram melhoria significativa em sua audição. Antes do tratamento, a maioria deles quase não conseguia ouvir, mas depois a perda auditiva diminuiu para um nível moderado. Apesar desses resultados serem animadores, ainda são iniciais e é necessário realizar estudos maiores para confirmar a eficácia.

A surdez ao nascer é um problema comum, afetando de 1 a 3 em cada mil recém-nascidos, segundo o otorrinolaringologista Márcio Salmito, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. A causa principal é genética, envolvendo uma mutação no gene chamado OTOF que prejudica a comunicação entre as células que captam o som e os nervos que o transmitem para o cérebro. Ou seja, o ouvido identifica os sons, mas o cérebro não os processa corretamente.

No estudo, foi utilizada uma injeção com um vírus modificado para introduzir uma versão funcional do gene OTOF no ouvido dos pacientes. Esse vírus serve como um transporte para o material genético, permitindo sua entrega de forma segura.

Os participantes foram acompanhados de 6 a 12 meses após o tratamento. Durante esse período, não foram observados efeitos colaterais graves, o que indica que o procedimento é seguro. Além disso, a audição dos pacientes melhorou bastante: a perda que antes era de cerca de 109 decibéis caiu para 52 decibéis. Para entender melhor, é como passar de quase não ouvir nada para escutar sons do dia a dia como conversas e barulhos ao redor.

Desafios e dúvidas a resolver

Apesar dos resultados positivos, o estudo apresenta algumas limitações importantes. A melhora foi maior em crianças entre 5 e 8 anos, enquanto em bebês menores a resposta foi menor, o que causou surpresa nos pesquisadores. Uma possível explicação é que a injeção pode causar pressão no ouvido dos bebês, afetando o resultado, mas ainda não há uma conclusão definitiva.

De acordo com Márcio Salmito, entender qual é o melhor momento para aplicar a terapia é essencial para garantir os melhores resultados. Se o tratamento for tarde demais, perde-se a fase importante para o desenvolvimento da fala, mas se for muito cedo, os benefícios podem ser reduzidos. Por isso, mais pesquisas são necessárias para definir estratégias eficazes.

Outra questão é que o estudo envolveu apenas dez pessoas e não teve grupo controle para comparação, além de ter sido realizado somente na China, o que pode limitar a aplicabilidade para outras populações.

Somente com novos estudos maiores e confirmando a segurança e a eficácia da terapia, essa injeção pode se tornar um tratamento viável para a surdez congênita no futuro.

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