O artista visual e sociólogo Flavio Marzadro criou o projeto Sob os Pés do Mundo — Arte e Inclusão, que realiza em Sobradinho a oficina Em busca de Textura. A oficina é destinada a pessoas cegas e com deficiências (PcD) e acontecerá nos dias 13 e 19 de maio, com duas turmas, matutina e vespertina, cada uma com até 20 participantes do Centro de Ensino Médio (CEM) 02 e do Centro de Ensino Especial (CEE) 01.
A atividade oferece uma experiência sensorial, permitindo que os participantes explorem com o tato diferentes materiais encontrados na cidade, estimulando a percepção estética e a criação artística a partir da relação entre corpo e ambiente urbano. A oficina mistura práticas em sala de aula, apresentando superfícies e texturas variadas, com vivências pela cidade, onde os participantes sentem as formas e relevos do espaço público.
Os participantes desenvolverão moldes e composições visuais com base nas sensações captadas durante as caminhadas. As oficinas contam com recursos de acessibilidade, como audiodescrição e apoio especializado conduzido por Flavio Marzadro, a ceramista Geusa Joseph e outros monitores.
Voltada para jovens e adultos maiores de 14 anos de escolas públicas e instituições especializadas, a oficina incentiva a troca de experiências, o diálogo e a construção coletiva, valorizando diferentes formas de perceber o mundo. O projeto é financiado pelo Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC) e reforça a inclusão cultural na região.
O secretário de Cultura e Economia Criativa, Fernando Modesto, destaca que o projeto confirma o compromisso da secretaria com políticas públicas que ampliam o acesso à arte e reconhecem a diversidade. Segundo ele, iniciativas como essa fortalecem uma cultura inclusiva que valoriza a participação e o direito de todos à expressão artística.
A primeira etapa do projeto Sob os Pés do Mundo aconteceu entre maio e setembro de 2025, terminando com uma exposição na Galeria 2 do Museu Nacional da República, parte do Festival Mês da Fotografia. A mostra apresentou 17 trabalhos táteis feitos a partir de texturas encontradas nas calçadas e vivências urbanas de pessoas cegas e com baixa visão, usando recursos como Braille, audiodescrição, letras aumentadas e paisagens sonoras.
O processo criativo envolveu cerca de 80 pessoas, com oficinas sensoriais no Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais (CEEDV) e na Biblioteca Braille Dorina Nowill, além de caminhadas pela Asa Sul, Asa Norte, Planaltina e Sobradinho. Essas experiências transformaram trajetos do dia a dia em arte. O projeto é resultado de uma pesquisa de mais de dez anos de Flavio Marzadro sobre arte, cidade, corpo e inclusão, refletindo sobre urbanismo e para quem os espaços urbanos são planejados.
