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sábado, 13/06/2026

nova agência para avaliar remédios no SUS e planos de saúde

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São Paulo, 13 – O aumento da expectativa de vida é uma vitória, mas também traz desafios, como o maior número de doenças crônicas e câncer. Para lidar com os altos custos de tratamentos inovadores, o médico sanitarista Gonzalo Vecina sugere que o SUS e os planos de saúde usem os mesmos critérios para aprovar novos medicamentos e tecnologias.

Hoje, o SUS oferece tratamentos aprovados pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), enquanto os planos de saúde seguem regras da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Essa diferença pode gerar processos judiciais, destaca o especialista.

Gonzalo Vecina acredita que unificar essa avaliação tornaria o processo mais claro e técnico para decidir se um tratamento novo deve ser usado.

Ele explica que a avaliação de tecnologias em saúde (ATS) verifica se o remédio ou procedimento realmente funciona. Isso é muito importante porque há casos de tratamentos que não cumprem o que prometem.

Gonzalo Vecina, que é professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, participou do encontro Brasil Adiante, promovido pelo Estadão, para discutir soluções para saúde e educação no país. No evento, também estiveram presentes Arminio Fraga, economista e ex-presidente do Banco Central, e Paulo Moll, CEO da Rede D’Or São Luiz.

O sanitarista defende a criação de uma agência única para avaliar as tecnologias usadas tanto no SUS quanto nos planos de saúde. Isso evitaria o desperdício ao impedir a aprovação de tratamentos sem comprovação científica correta e também geraria pressão da população para garantir que os bons medicamentos cheguem a quem precisa.

Principais pontos da entrevista com Gonzalo Vecina:

P: Como a reformulação da avaliação de tecnologias pode ajudar a financiar tratamentos caros, já que remédios aprovados pela Conitec podem não estar disponíveis por falta de dinheiro?

R: A ATS serve para decidir se uma tecnologia funciona ou não. Depois disso, cabe à sociedade lutar para que os tratamentos cheguem às pessoas. Um exemplo foi o tratamento para Aids, que foi entregue graças à mobilização social. Precisamos separar essas etapas: a avaliação da tecnologia e a garantia da entrega.

P: Existe hoje sistemas diferentes para aprovação no SUS e nos planos de saúde. O senhor defende um critério único?

R: Sim, deve haver uma agência única que avalie tecnologias para o setor público e privado. Isso evitaria desigualdades e geraria força para que o tratamento certo esteja disponível para todos, independente da renda.

P: O Programa Saúde da Família é um modelo importante, mas onde pode melhorar em prevenção e diagnóstico?

R: É fundamental envolver o cidadão no cuidado da própria saúde. A prevenção depende do comportamento da pessoa: alimentação, vida social, higiene e adesão ao tratamento. O médico ajuda, mas é o paciente quem faz a prevenção.

P: Como funcionaria a regionalização da gestão do SUS com repasses por população?

R: Municípios de uma região podem se unir em consórcios para administrar juntos os serviços de saúde, compras de medicamentos e contratação de profissionais. Isso ajuda a organizar melhor os recursos, especialmente em regiões com muitos municípios pequenos.

P: Juridicamente isso é possível?

R: Sim, mas exige regras claras e acordos entre os municípios para decidir prioridades, como o uso de leitos hospitalares.

P: A saúde e a assistência social podem se integrar melhor?

R: Com certeza. Unir os recursos e serviços desses setores pode criar políticas públicas mais eficientes e atender melhor as necessidades, especialmente da população idosa.

P: Qual seria a principal prioridade do novo governo para enfrentar os custos do envelhecimento?

R: Não reduzir o financiamento, garantir acesso a consultas especializadas e melhorar a organização regional da saúde.

Estadão Conteúdo

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