Gabriela Cecchin e Richard Henrique
São Paulo, SP (FolhaPress)
A Copa do Mundo de 2026 terá alguns jogos da seleção brasileira em horários noturnos para quem acompanha do Brasil, por conta do fuso horário dos países-sede: Estados Unidos, México e Canadá. Na fase de grupos, os três jogos do Brasil serão à noite.
Shoppings e supermercados podem fechar mais cedo e não funcionar durante as partidas.
Empresas e órgãos públicos planejam mudanças para que funcionários possam assistir aos jogos, caso o Brasil avance e jogue em horário comercial.
Um estudo da Serasa Experian mostra que 88,2% dos brasileiros têm uma visão melhor das empresas que flexibilizam o horário durante jogos importantes. Desses, 71% melhoram muito a opinião, 17,2% um pouco, e só 2,2% pioram a imagem da empresa.
A pesquisa também indica que muitos profissionais não esperam uma paralisação total do trabalho. Para 34,6%, o ideal é flexibilizar horários sem parar as atividades. Outros 26,8% acham que isso deve variar conforme o trabalho, e 23,3% apoiam liberar ou encerrar o expediente mais cedo.
Confira algumas ações de órgãos públicos e empresas nos mais variados setores:
Shoppings
Os shoppings terão horários diferentes durante os jogos do Brasil. No Metrô Tucuruvi, lojas funcionam das 9h às 18h para jogos às 19h, e das 9h às 21h30 para jogos às 21h30. Restaurantes como Coco Bambu, Outback e Mania de Churrasco exibirão os jogos.
No SuperShopping Osasco, horário será das 10h às 18h para jogo às 19h, com abertura opcional das 18h às 22h. Para a partida das 21h30, funciona das 9h às 20h30, com horário facultativo depois disso.
O Granja Vianna fecha lojas uma hora antes dos jogos às 19h, mantendo restaurantes e praça de alimentação abertos. Para jogos às 21h30, lojas fecham às 20h30.
No Pátio Cianê, lojas abrem das 9h às 18h30 para jogos às 19h e até 21h para partidas às 21h30. Também terão transmissão no Outback e espaço para troca de figurinhas do álbum oficial.
Supermercados
Estratégias variam entre os supermercados. A Apas informa que cada rede faz seu plano conforme o perfil dos clientes e a necessidade local.
O Grupo Pão de Açúcar encerrará atividades uma hora antes dos jogos do Brasil na primeira fase.
Já o Dia fechará as lojas durante os jogos e vai montar telão, arquibancadas, pipoca e refrigerante para funcionários no centro de distribuição. No escritório, colaboradores podem sair mais cedo se o horário de trabalho for afetado.
Varejo
No comércio, não há solução única, diz a CNDL. Recomenda-se que empresários avaliem cada caso e negociem com as equipes. É comum liberar funcionários mais cedo, banco de horas, home office e telões em áreas de convivência.
As Casas Bahia fecharão lojas de rua uma hora antes dos jogos. Nas lojas dentro de shoppings, funcionários poderão assistir aos jogos antes de voltar ao trabalho.
O Magazine Luiza fará mudanças nas escalas de trabalho nos dias de jogos da seleção.
Bancos
Na fase de grupos, com três jogos à noite, agências não terão mudança. A Febraban definiu horário especial se jogos começarem até às 17h: abertura às 9h, fechamento antecipado conforme o horário do jogo, como 12h para jogos iniciados às 14h, mantendo canais digitais funcionando.
Servidores Públicos
O governo federal permite a alteração excepcional do horário final dos servidores nos dias de jogos do Brasil.
Essa mudança não significa ponto facultativo: os órgãos devem continuar funcionando e as horas não trabalhadas devem ser compensadas entre 3 de agosto e 30 de setembro de 2026. Quem não compensar pode ter desconto no salário.
Horários de saída para servidores nos dias de jogos do Brasil:
- 11h para jogos às 14h
- 13h para jogos às 16h
- 14h para jogos às 17h
- 15h para jogos às 18h
- 16h para jogos às 19h
- 18h30 para jogos às 21h30
- 19h para jogos às 22h
Órgãos devem funcionar durante os jogos e servidores que preferirem podem manter o horário normal.
Telesserviços
Em empresas de atendimento, o foco é manter o serviço sem parar. A ABT informa que é comum ter televisores e telões, flexibilização de horários e compensação de horas.
A Foundever preparou quizzes, campeonatos, brindes e transmissões em áreas comuns para os funcionários presenciais e home office.
Saúde
O Hospital Alemão Oswaldo Cruz manterá as operações normais e exibirá os jogos da seleção em telões, televisores em refeitórios e quartos para pacientes e acompanhantes.
Bares e Restaurantes
O setor espera aumento durante os jogos. A Abrasel-SP estima que metade dos locais transmitirá jogos e espera 20% mais faturamento.
No Espetinhos Paulista, em Cajamar, a programação inclui telões e decoração. O garçom Aureliano Santos, 53 anos, destaca o clima animado e o fato de poder ver os jogos pelos telões sem atrapalhar o trabalho. A proprietária Lanny Mattos conta que a equipe faz revezamento para assistir parte das partidas sem comprometer o atendimento.
Motoristas de App
Entregadores enfrentam o dilema entre trabalhar ou assistir ao jogo. A Amabr aponta queda de pedidos durante as partidas e perda de renda de 20 a 30% para quem opta por assistir.
Gilberto dos Santos, presidente do SindimotoSP, explica que promoções e bonificações são ajustadas para incentivar o trabalho durante os jogos.
O iFood lançou campanha “O jogo começa na rua” com sorteios e espaços para convivência em 12 cidades, respeitando a escolha de cada entregador de se conectar ou não nos jogos.
Obrigatoriedade de liberação
O advogado Daniel Ribeiro, sócio do VLF Advogados, explica que a lei trabalhista não obriga empresas a liberar funcionários para os jogos. A decisão depende da política interna, acordos coletivos ou negociações.
Quando há transmissão no expediente, esse tempo conta como disposição ao empregador, sem desconto salarial. A compensação de horas só ocorre se prevista em acordo.
Setores essenciais têm menos margem para flexibilizar, mas podem fazer escalas, revezamentos, ajustar jornadas e permitir acompanhamento das partidas.
