O navio de cruzeiro MV Hondius, onde houve um surto de hantavírus, chegou ao porto de Roterdã, na Holanda, na segunda-feira, 18 de maio. Parte dos passageiros foi retirada nas Ilhas Canárias. Os 27 tripulantes e profissionais de saúde que permanecem a bordo serão colocados em quarentena após o desembarque. O navio será desinfetado e passará por uma limpeza minuciosa.
O navio de luxo, com bandeira holandesa, transportava cerca de 150 passageiros e tripulantes de 23 países diferentes. O surto foi reportado pela primeira vez em 2 de maio pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Até o momento, três passageiros faleceram: um casal da Holanda e uma mulher da Alemanha.
O MV Hondius ficou retido próximo a Cabo Verde e, com pedido da OMS e da União Europeia, a Espanha autorizou que alguns passageiros desembarcassem nas Ilhas Canárias. Em seguida, o navio seguiu para Roterdã com tripulação reduzida e dois profissionais de saúde.
Os tripulantes, passageiros que já haviam deixado o navio e pessoas que tiveram contato com eles foram colocados em quarentena em vários países. Na sexta-feira, a OMS atualizou o número de casos positivos, reduzindo de 11 para 10 após um americano testar negativo. Em 15 de maio, foram contabilizados 10 casos, sendo oito confirmados e dois prováveis, incluindo as três mortes.
O governo da Colúmbia Britânica informou no sábado que um canadense, passageiro do MV Hondius, também testou positivo para a doença. A OMS aguarda confirmação oficial desses números. Caso confirmado, o total de casos passará para 11.
Assembleia Mundial da Saúde
A OMS deu início à sua Assembleia anual para discutir o tratado sobre pandemias, que inclui surtos de hantavírus e ebola. A reunião ocorre até sábado em Genebra. A reforma da arquitetura da saúde global será o foco, buscando melhor coordenação entre níveis global, regional e nacional.
Helen Clark, copresidente do grupo independente de especialistas para pandemias, destacou a importância de definir responsabilidades para evitar sobreposição de esforços. Divergências recentes atrasaram negociações do tratado sobre pandemias, como o compartilhamento de insumos farmacêuticos.
Esta Assembleia acontece após um ano difícil para a OMS, fragilizada pela decisão dos Estados Unidos de se retirarem da organização e pela redução de contribuições internacionais, que resultou em cortes no orçamento e equipe. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a organização está estável e em avanço.
Os Estados ainda precisam se pronunciar sobre o pedido de retirada da Argentina, apoiado por Israel, que apresentou uma resolução. A codiretora do Centro de Saúde Global do Instituto de Altos Estudos Internacionais de Genebra, Surie Moon, ressaltou que a crise do hantavírus demonstra a necessidade de uma OMS eficaz, confiável, imparcial e bem financiada.
