O banco Digimais fez uma movimentação para retirar do seu balanço contratos problemáticos, cedendo uma carteira de financiamentos de veículos, incluindo contratos judicialmente rescindidos, como um caso de carro roubado. Essa carteira foi vendida para uma empresa ligada a um pastor de outra igreja. Em troca, o banco deveria investir em um negócio de venda de imóveis por meio de crédito consignado, porém não teria depositado os R$ 30 milhões que prometeu.
Rodrigo Menezes Martins, fotógrafo, recorreu à Justiça após comprar um carro que não funcionava. Tentou cancelar a compra, mas a revenda se recusou a devolver o dinheiro, enquanto o banco continuou cobrando o financiamento. A Justiça suspendeu a cobrança, mas o banco continuou cobrando, mesmo após transferir o contrato para outra empresa. “O Digimais passou o contrato para outra empresa. Já faz dois anos que estou nessa situação. E eles continuam cobrando, contrariando a ordem judicial.”
Rafael Cascardi, técnico de segurança, comprou um Celta 2014 financiado pelo Digimais e foi parado pela polícia, pois o veículo era roubado. Ele conseguiu na Justiça a rescisão do contrato.
Nos dois casos, o Digimais não responde mais aos processos judiciais, e a disputa judicial ficou a cargo da empresa Hatikvah Participações.
Crédito Consignado
A Hatikvah tem como sócio o empresário do mercado financeiro e pastor Tiago Gouvêa, que atua no ramo de empréstimos consignados. Ele é pastor da igreja evangélica Alive Church.
Em 30 de dezembro de 2025, a Hatikvah recebeu do Digimais os direitos creditórios de uma carteira de financiamentos de veículos, comprando-a por R$ 255 milhões. Em troca, cedeu ao banco inicialmente 35% do Fundo de Investimentos em Participações (FIP) Hatikvah, do qual hoje o banco é dono de 97%. Esse fundo investe em duas empresas imobiliárias de Gouvêa, com aportes declarados de R$ 711 milhões.
Procurado pelo Estadão, o empresário explicou que ofereceu ao Digimais uma operação de empréstimos consignados para servidores públicos de municípios com os quais já mantém contrato.
Estadão Conteúdo.
