O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, declarou que seguiu todas as normas e determinações ao desembarcar de um voo que está sob investigação da Polícia Federal (PF). Em comunicado enviado ao Metrópoles, ele disse que aguarda a posição da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o caso.
A polícia está investigando se um auditor da Receita Federal, Marco Antônio Canella, cometeu crimes ao permitir que bagagens entrassem no país sem a devida fiscalização. A investigação envolve um voo que transportava Hugo Motta e o senador Ciro Nogueira.
Segundo a apuração, cinco volumes levados pelo piloto José Jorge de Oliveira Júnior entraram no Brasil sem passar pelo raio-x na noite de 20 de abril de 2025, quando o voo retornava da ilha de São Martinho, conhecida como paraíso fiscal no Caribe.
A aeronave é de propriedade do empresário Fernando Oliveira Lima, conhecido como “Fernandin OIG”, apontado como operador de plataformas de apostas on-line, que negou qualquer ligação com o chamado “jogo do tigrinho”.
Além de Hugo Motta e Ciro Nogueira, estavam a bordo os deputados Dr. Luizinho e Isnaldo Bulhões. A lista de passageiros inclui o ex-vereador de Teresina Victor Linhares, investigado na Operação Carbono Oculto, que apura relações entre o crime organizado e o setor de combustíveis.
Investigação em andamento no STF
Em janeiro deste ano, a procuradora da República Ana Flávia Nóbrega Cavalcanti Ugatti afirmou que não se pode descartar a participação de autoridades com foro privilegiado nos crimes investigados.
“Não há como descartar a possibilidade de envolvimento de passageiros com prerrogativa de foro nos delitos apurados ou em outras condutas criminosas que possam surgir nas investigações. É necessário que o caso seja encaminhado ao Supremo Tribunal Federal para avaliar a competência do órgão”, afirmou.
Em março, a juíza Carolina Castro Costa, da 1ª Vara Federal de Sorocaba, determinou o envio do processo ao STF, que agora deve decidir se irá conduzir a investigação. O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, solicitou que a PGR se manifeste.
A PF ressaltou que não é possível afirmar a quem pertencem os volumes ou seu conteúdo. O delegado Flávio Vieitez Reis defende o envio ao STF, considerando que a investigação pode revelar o envolvimento de autoridades em crimes.
“Sem a apreciação do Poder Judiciário, as investigações podem ser comprometidas”, alertou o delegado em janeiro de 2026.
