ALÉXIA SOUSA
FOLHAPRESS
O Ministério Público do Rio de Janeiro está realizando uma operação nesta quinta-feira (30) contra um grupo que seria a nova liderança do jogo do bicho na zona oeste da capital.
A investigação apura a atuação dos suspeitos na exploração de máquinas caça-níqueis e bingos clandestinos na região.
Os promotores apontam que a organização é comandada por Marcos Paulo Moreira da Silva, conhecido como Marquinho Sem Cérebro, que já se encontra preso.
Apuramos que Marquinho, ex-fuzileiro naval, teria conquistado espaço dentro da contravenção como líder do braço armado da quadrilha do bicheiro Fernando de Miranda Iggnácio, morto a tiros em novembro de 2020, no estacionamento de um heliporto no Recreio dos Bandeirantes.
Além disso, Marquinho foi condenado recentemente a 22 anos e 2 meses de prisão pelo assassinato de 2011 em Bangu. Conforme a denúncia do Ministério Público, a vítima, Antônio Marcos Duarte Barros, foi atraída ao local sob o pretexto de entregar botijões de gás e acabou morta a tiros.
Esse crime ocorreu em meio a uma disputa pelo controle do comércio de gás local, e Marquinho fazia parte de um grupo que dominava economicamente comerciantes da região por meio de ameaças e intimidação. A vítima teria sido assassinada após recusar adquirir produtos do esquema.
O júri reconheceu que o homicídio foi cometido por motivo torpe e com recurso que dificultou a defesa da vítima.
Segundo o Ministério Público, após a morte de Iggnácio, Marquinho assumiu destaque na exploração ilegal do jogo em Bangu. A apuração indica envolvimento do grupo não apenas com jogos de azar, mas também com lavagem de dinheiro e diversos homicídios ocorridos na região a partir de 2021.
Foram emitidos 18 mandados de busca e apreensão em bairros como Bangu, Senador Camará e Realengo, com o objetivo de coletar documentos, armas e equipamentos usados nas atividades ilegais.
A morte de Iggnácio marcou uma virada na disputa pelo controle do jogo do bicho no Rio de Janeiro. Genro do conhecido contraventor Castor de Andrade, ele dividia o controle da contravenção com Rogério de Andrade, sobrinho do bicheiro, até que romperam a relação e passaram a disputar áreas.
Rogério está preso no Presídio Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, desde outubro de 2024, acusado de matar o rival.
Investigações sobre a morte de Iggnácio indicam que as motivações de Rogério incluíam o controle de atividades ilegais e a vontade de se vingar da morte de seu filho adolescente.
