O Instituto Nacional de Câncer (Inca), ligado ao Ministério da Saúde, lançou no dia 5 de novembro de 2025 uma nova versão das Diretrizes para a Vigilância do Câncer Relacionado ao Trabalho. O anúncio foi feito durante um seminário na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) focado em experiências bem-sucedidas para monitorar cânceres ligados ao ambiente de trabalho no Brasil.
Essas diretrizes, que existiam desde 2012, foram atualizadas para incluir novos conhecimentos científicos e oferecer mais suporte aos profissionais do SUS na identificação e acompanhamento de riscos à saúde no trabalho. Ubirani Otero, epidemiologista e gerente substituta da Área Técnica de Ambiente, Trabalho e Câncer do Inca, explicou que a atualização seguiu a lista revisada no ano anterior de doenças que podem surgir por causa do trabalho.
De acordo com Ubirani Otero, houve uma revisão detalhada para incluir novos agentes nocivos, pois de 2012 até hoje vários outros produtos químicos, físicos e biológicos passaram a ser reconhecidos como causadores de câncer. Na versão anterior, 19 tipos de câncer estavam relacionados ao trabalho; agora, a lista cresceu para 50, considerando fatores como exposição a agentes específicos. Exemplos novos, como a atividade de bombeiro e trabalho durante a noite — ligado a câncer de mama, intestino e próstata — foram acrescentados.
A nova edição ficou mais prática, com oito capítulos ao invés de dez, incluindo exemplos reais e casos clínicos que ajudam os profissionais de saúde a identificar e notificar casos de câncer relacionados ao trabalho de forma mais fácil, por meio do histórico ocupacional do paciente.
Ubirani Otero destacou que as diretrizes também colaboram para criar políticas públicas, pois o reconhecimento de casos pode levar a buscas para identificar agentes perigosos como amianto ou sílica, além de considerar fatores como o tabagismo que podem potencializar o risco.
Com as notificações, as equipes de saúde podem mapear as atividades de risco nas regiões e implementar ações preventivas. No seminário, estados e municípios mostraram resultados usando as diretrizes antigas, o que reforça que a atualização será ainda mais útil para o trabalho na área.
As orientações seguem os padrões da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS). Ampliar a lista para 50 tipos de câncer é um avanço importante, incluindo tipos como mama, ovário, próstata, colorretal, fígado, leucemias, bexiga, pulmão e câncer de pele — que representa 30% dos casos no Brasil e está frequentemente associado à exposição ao sol em trabalhos como construção civil e agricultura.
Ubirani Otero reforçou que o câncer causado pelo trabalho pode ser evitado e que as diretrizes têm o objetivo de tornar esses casos menos invisíveis, promovendo prevenção, vigilância e reconhecimento adequado.
