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Equador se prepara para novos protestos apesar de tentativa de diálogo

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O governo se reuniu com líderes indígenas nesta terça, mas os protestos contra o corte de subsídios dos combustíveis continuam

Equador: os subsídios foram retirados por conta de acordo feito com o FMI (Ricardo Landeta/Getty Images)

Quito se prepara nesta quarta-feira para uma grande mobilização depois que o governo do Equador e líderes indígenas fizeram uma primeira aproximação no dia anterior, em meio à crise social que afeta o Equador devido ao aumento dos preços dos combustíveis.

Apesar dessa aproximação, o movimento de protesto não cede e, nesta quarta-feira, espera-se a inclusão de sindicatos e outros grupos de desacordos enquanto milhares de indígenas e camponeses estiverem em Quito.

Os indígenas exigem que o presidente Lenín Moreno volte atrás no desmonte dos subsídios acertado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) em troca de empréstimos no valor de 4,209 bilhões de dólares

“Já tivemos as respectivas abordagens; conversamos com alguns de seus líderes”, disse Lenín Moreno a repórteres na noite de terça-feira, quando cumprimentou soldados que protegiam uma ponte em Guayaquil (sudoeste), para onde ele transferiu a sede do governo por precaução.

Apesar do contato inicial, com a mediação da ONU e da Igreja Católica, Moreno admitiu que há alguma dificuldade devido ao fato de mais de 60 organizações demonstrarem rejeição pelo aumento dos preços dos combustíveis.

Na quarta-feira passada, Moreno eliminou subsídios da ordem de 1,3 bilhão de dólares ao ano sobre os combustíveis mais utilizados no país petroleiro, provocando altas como a do diesel, que subiu 123%, e uma comoção social em repúdio aos reajustes econômicos.

Moreno decretou na véspera um toque de recolher para proteger os prédios públicos dos protestos, após tentativas de invasão do Congresso e da Casa de Governo.

Policiais e militares desalojaram na terça manifestantes que invadiram a sede do Congresso, em Quito, onde ao menos 100 indígenas e camponeses conseguiram romper o cordão de isolamento feito em torno do prédio.

Ameaças

Atingido pelo alto endividamento e pela falta de liquidez, o Equador está envolvido na pior espiral de protestos desde 2007.

Apesar do estado de exceção que vigora desde a quinta-feira e das ofertas de diálogo do governo, os protestos não cedem, e os indígenas que chegaram a Quito mantêm os jornalistas à distância com paus e ameaças.

“O déspota (presidente venezuelano, Nicolás Maduro ativou, junto com (o ex-presidente equatoriano Rafael) Correa seu plano de desestabilização”, denunciou Moreno cercado do alto comando militar, que até o momento se mantém junto ao governo.

Em pronunciamento na televisão, o chefe de Estado de 66 anos culpou diretamente Correa de tentar derrubá-lo.

Apesar de negar envolvimento na crise, Correa, disse nesta quarta que, “se necessário”, disputará possíveis eleições antecipadas em seu país, mas que o governo Moreno tentará evitar que isso aconteça.

“Se eu precisar ser candidato, serei”, disse Correa aos jornalistas em Bruxelas, afirmando que, como havia sido “desabilitado ‘entre aspas’ para ser presidente, a opção será concorrer a ‘vice-presidente’ para baixo”.

O ex-líder da esquerda entre 2007 e 2017 se referia à consulta promovida em 2018 por seu sucessor, Lenín Moreno, sobre uma reforma dos mandatos presidenciais, o que impede Correa de disputar o que seria seu quarto.

Apoio a Moreno

Sete países latino-americanos, entre eles o Brasil, rejeitaram na terça “toda ação” do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e seus aliados para “desestabilizar” o Equador.

“Os governos de Argentina, Brasil, Colômbia, El Salvador, Guatemala, Peru e Paraguai manifestam seu repúdio categórico a qualquer tentativa desestabilizadora dos regimes democráticos legitimamente constituídos e expressam seu firme apoio às ações empreendidas pelo presidente Lenín Moreno”, indicou a chancelaria colombiana em um comunicado difundido em Bogotá.

Os sete países condenaram, ainda, qualquer influência de Maduro, a quem se opõem, e seus aliados para “desestabilizar” o presidente equatoriano.

Mais cedo, a secretaria-geral da Organização dos Estados Americanos, chefiada por Luis Almagro, condenou os “atos de violência” registrados durante os protestos no Equador e pediu em um comunicado, que “os atores políticos e sociais resolvam suas diferenças pela via pacífica”.

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, também pediu “moderação” e “diálogo” no país.

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Turquia acusa curdos de libertar presos ligados ao Estado Islâmico

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Comunidade internacional se preocupa com a possibilidade de essa ofensiva militar contra as milícias curdas gerar um ressurgimento do Estado Islâmico

Turquia: país invadiu a Síria e atacou cidades curdas que mantinham prisioneiros do Estado Islâmico (Anadolu Agency / Colaborador/Getty Images)

Ancara — A Turquia acusou nesta segunda-feira as milícias curdas – as quais enfrenta desde a quarta-feira passada no nordeste da Síria – de terem esvaziado uma prisão na qual estavam reclusos membros do grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

O ministro da Defesa turco, Hulusi Akar, afirmou que as tropas do país encontraram vazia uma prisão de integrantes do EI no território sírio a leste do rio Eufrates. Essa região, que a Turquia já controla, tem aproximadamente 109 quilômetros quadrados.

Em entrevista à concedida imprensa em Ancara, Akar acusou as milícias Unidades de Proteção do Povo (YPG) – que fazem parte das Forças Democráticas Sírias (FDS) – de terem esvaziado essa prisão e levado os reclusos.

“Quando fomos lá, vimos que as YPG a tinham esvaziado e tinham levado os membros do EI. Filmamos, tiramos fotos e discutimos com alguns interlocutores”, declarou o ministro, sem especificar com quem as imagens foram compartilhadas.

A prisão em questão está localizada em Tell Abiad, cidade síria que faz fronteira com a Turquia e desde ontem está sob o controle do Exército turco.

“As forças turcas entraram hoje na prisão de Tell Abiad esperando tomar a custódia dos detidos do EI. As YPG libertaram os militantes do EI em uma tentativa de alimentar o caos na área. Uma análise legista do lugar revela que os internos não romperam nenhuma porta”, explicou a fonte.

As FSD informaram neste domingo a fuga de aproximadamente 800 membros do EI após um ataque turco que atingiu o centro de detenção no qual estavam reclusos no nordeste da Síria.

A comunidade internacional se preocupa com a possibilidade de essa ofensiva militar contra as milícias curdas gerar um ressurgimento do Estado Islâmico.

As YPG foram aliadas da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos no combate ao EI durante mais de quatro anos. No entanto, a Turquia as considera terroristas devido aos vínculos com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), a guerrilha curda que atua em território turco. EFE

 

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Dívida, corrupção e Venezuela dominam debate presidencial na Argentina

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O presidente Mauricio Macri, o peronista Alberto Fernández e outros quatro candidatos participaram do primeiro debate presencial

Eleições: Fernández obteve 17 pontos de vantagem sobre Macri nas primárias em 11 de agosto (Ricardo Ceppi / Correspondente/Getty Images)

A elevada dívida argentina, a corrupção e a crise na Venezuela concentraram os ataques entre o presidente liberal Mauricio Macri e o peronista Alberto Fernández, durante o primeiro debate no domingo entre os seis candidatos à presidência.

“Quando o mandato terminar, ele terá deixado 5 milhões de novos pobres”, atacou o candidato de centro-esquerda Fernández, favorito para vencer as eleições de 27 de outubro.

“Um lugar onde o governo Macri fracassou categoricamente foi na economia”, disse ele em tom ofensivo.

Fernández, cuja vice é a ex-presidente Cristina Kirchner (2007-2015), obteve 17 pontos de vantagem sobre Macri nas primárias em 11 de agosto e, segundo as pesquisas, expandiu a diferença desde então.

“Sei que no último ano o ônus foi muito grande, especialmente para a classe média. Estamos no ponto de partida para começar a crescer”, defendeu-se Macri, que aspira a um segundo mandato após quatro anos de governo.

Eleições Argentina: primeiro debate presidencial

O presidente encerra seu mandato com uma economia endividada e em recessão, com inflação anual de 30% em agosto e pobreza de 35,4%, o nível mais alto desde o colapso econômico de 2001.

Fernández não deu detalhes sobre qual será seu plano econômico. Ao mesmo tempo, muitos argentinos temem que ele seja um “fantoche” de Cristina Kirchner.

Macri implementou uma política de ajuste fiscal que incluiu demissões, cortes de subsídios, aumento de taxas de serviço público e impostos.

O resultado do ajuste tem sido um aumento do desemprego (10,6%) e da pobreza, com uma inflação anual estimada de 55% para 2019 e uma queda na economia de 2,5% para este ano.

O peso depreciou 68% desde janeiro de 2018 e as taxas de juros superaram 80%, das mais altas do mundo.

“Esses debates são conquistados mais pela atitude do que pelo conteúdo”, disse a analista política Analía del Franco.

Fernández “se destacou mais por ter uma atitude ativa e surpreendeu por ter partido para a ofensiva enquanto Macri acabou nervoso e com raiva”, afirmou.

Dívida e corrupção

Desde que Macri tomou posse, a dívida pública cresceu, incluindo com um empréstimo de 57 bilhões de dólares do Fundo Monetário Internacional (FMI) que o governo tomou em 2018 e que agora busca refinanciar.

A dívida chega a 383 bilhões de dólares, quase o total da receita bruta nacional, segundo consultorias.

“Dos 39 bilhões de dólares dados pelo Fundo (FMI), 30 bilhões escaparam, os amigos do presidente os levaram e um dia ele terá que explicar à Argentina para onde foram esses dólares que não estão em pontes ou em casas”, afirmou Fernández no debate realizado na Universidade Nacional del Litoral, em Santa Fe. O segundo será no próximo domingo, na capital argentina.

“Fico feliz e surpreso que a Frente de Todos fale de corrupção. E também que Alberto Fernández diga que eu destruí a economia quando, até muito recentemente, dizia que a presidente Kirchner a destruiu”, respondeu Macri.

“Reconhecemos o presidente Juan Guaidó. Ser neutro é sinônimo de apoio à ditadura de (Nicolás) Maduro”, disse Macri.

Guaidó, presidente do Parlamento venezuelano, proclamou-se presidente interino em janeiro e é reconhecido como tal por mais de 50 países que consideram a reeleição de Maduro fraudulenta.

Fernández respondeu: “A Venezuela tem problemas. Mas, ao contrário do presidente, quero que os venezuelanos resolvam o problema. Espero que nenhum soldado argentino acabe nas terras venezuelanas”.

Os demais candidatos são Nicolás Del Caño, da Frente de Esquerda; José Luis Espert, da frente direita Unite; Juan José Gómez Centurión, do direitista Nos, e Roberto Lavagna, do centrista Consenso Federal.

Nas primárias, Fernández obteve 47,78% dos votos e Macri 31,79%. Se em 27 de outubro Fernández exceder 45%, será consagrado o futuro presidente.

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“Sim, é possível”, comemoram indígenas após acordo com governo do Equador

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Depois de 11 dias de intensos protestos, o governo do Equador recuou e elaborará um decreto para substituir o pacote de austeridade

Equador: governo e liderança indígenas fazem acordo após grandes manifestações (Getty Images / Correspondente/Getty Images)

Quito — Milhares de equatorianos lotaram as ruas de Quito na noite de domingo para festejar o acordo entre o governo e os indígenas, que deu fim aos 11 dias de violentos protestos ocasionados pela eliminação do subsídio aos combustíveis.

Famílias inteiras, inclusive com crianças de pijama e com bebês nos braços, saíram às ruas em passeata. No parque de El Arbolito, epicentro dos distúrbios na capital, milhares de manifestantes gritavam insistentemente: “Sim, é possível”.

Ficaram para trás os dias de batalha campal contra as forças de segurança, conflitos marcados por pneus em chamas, cortinas de fumaça e muito gás lacrimogêneo.

Na região que deu lugar à festa, os manifestantes começaram a recolher as barricadas que serviram de proteção, especialmente nos últimos dias, quando os protestos se tornaram ainda mais violentas e com forte repressão policial.

Centenas de indígenas festejaram a “vitória da luta popular” no lado de fora da Casa de Cultura – centro cultural dirigido pelo governo – com bailes nos quais mostravam suas lanças e faziam soar os tambores aos gritos de: “O povo unido, jamais será vencido”.

“Viva a união do povo organizado”, gritavam ao mesmo tempo que tocavam instrumentos ancestrais.

O festejo foi sentido tanto dentro como fora da Casa de Cultura, ponto de encontro dos indígenas desde a segunda-feira passada, quando milhares chegaram do interior do país para protestar contra o aumento dos preços dos combustíveis.

A festa tomou conta das ruas de Quito pouco após o governo anunciar que elaborará um decreto para substituir o 883, que provocou os protestos, em um acordo com o movimento indígena alcançado com a mediação da ONU e da Conferência Episcopal.

 

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