O Brasil alcançou um número recorde de pessoas endividadas, totalizando 82,8 milhões, segundo dados divulgados pela Serasa nesta terça-feira (5/5). Este número representa um aumento de 1,35% em relação a fevereiro deste ano, quando eram 81,7 milhões de pessoas inadimplentes, correspondendo a 49% da população adulta.
Além do crescimento no número de endividados, a dívida média por pessoa também aumentou 1,98%, chegando a R$ 6.728,51. Cada pessoa possui em média quatro dívidas, com valor médio de R$ 1.647,64 cada.
O total das dívidas soma R$ 557 bilhões, um crescimento de 3,35% desde fevereiro. A pesquisa contou com entrevistas de 1.904 pessoas com dívidas em todo o país, realizadas em abril deste ano. Quarenta e oito por cento dos entrevistados apontaram que o desemprego ou a perda de renda são os principais motivos da inadimplência, enquanto outros 46% indicaram gastos emergenciais, falta de controle financeiro, ajuda financeira a familiares e atraso no pagamento de contas básicas como causas relevantes.
Aline Maciel, diretora da Serasa, destaca que mesmo com bons índices de emprego, o endividamento elevado e recorde no país chamam atenção e indicam que a situação pode piorar.
Conforme dados do Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desocupação no Brasil ficou em 6,1% nos primeiros três meses do ano.
Dívidas por setor
O levantamento mostra que 47% das dívidas estão concentradas no setor financeiro, incluindo bancos, cartões de crédito e financeiras, além de contas básicas como água, luz e gás, e serviços.
Programa do governo
Para combater o endividamento, o governo federal lançou o programa Novo Desenrola Brasil, com duração de 90 dias, que oferece descontos de até 90% em dívidas e financiamento com juros reduzidos, limitados a 1,99% ao mês. O programa atua em diferentes frentes, incluindo renegociação para famílias, estudantes com Fies, microempresas e setor rural.
No caso das famílias, são elegíveis dívidas até 31 de janeiro de 2026, que estejam atrasadas de 90 dias a 2 anos, nas modalidades de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. Pessoas com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105) podem participar.
Segundo a pesquisa, 71% dos entrevistados já tentaram negociar suas dívidas bancárias. Entre as condições apontadas para aumentar a confiança estão: acordo com desconto (69%), redução dos juros (64%), parcelamento acessível (58%) e aumento da renda (36%).
Aline Maciel destaca que o programa é positivo, mas medidas complementares, como educação financeira e redução das taxas de juros, são necessárias para reduzir efetivamente o estoque de dívidas no país.
Renegociação via aplicativo
A Serasa informa que diversas instituições financeiras oferecem convênios para renegociação de dívidas, inclusive nos termos do Novo Desenrola Brasil, disponíveis diretamente no aplicativo da Serasa.
Matéria em atualização.
