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quarta-feira, 15/07/2026

Dólar cai para R$ 5,08 após inflação menor nos EUA

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O dólar caiu frente ao real nesta quarta-feira, fechando abaixo de R$ 5,10 pela primeira vez desde junho. A queda refletiu a diminuição da inflação ao consumidor nos Estados Unidos em junho, que reduziu as expectativas de aumento dos juros pelo Federal Reserve (Fed) em setembro.

O mercado também reagiu à desaceleração no preço do petróleo, após o presidente dos EUA, Donald Trump, descartar a cobrança de pedágio no Estreito de Ormuz. O barril do petróleo Brent para setembro subiu 1,72%, chegando a US$ 84,73.

Com menores temores de risco e termos de troca mais favoráveis devido ao petróleo, o real foi a moeda com melhor desempenho entre as principais. Além disso, a menor volatilidade favoreceu as operações de carry trade.

O dólar à vista terminou o dia em queda de 1,06%, cotado a R$ 5,0778, seu menor fechamento desde 16 de junho. A moeda americana acumula queda de 1,65% em julho e perda de 7,49% no ano.

Segundo Ricardo Chiumento, head da Tesouraria do BS2, essa melhora na inflação dos EUA pode ser passageira, pois a alta recente do petróleo pode influenciar os próximos índices de preços. Ele ressalta também que o presidente do Fed, Kevin Warsh, alertou que a luta contra a inflação ainda não acabou.

O índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA recuou 0,4% em junho, abaixo da expectativa, enquanto o núcleo do CPI (que exclui alimentos e energia) ficou estável, contrariando projeções de aumento.

O índice DXY, que mede o dólar contra seis moedas fortes, caiu para cerca de 100,95 pontos, após atingir mínima de 100,61 pela manhã.

As taxas dos Treasuries para dois anos recuaram, refletindo as menores chances de aumento dos juros pelo Fed em setembro, segundo dados do CME Group.

Para o economista Christoph Balz, do Commerzbank, a estabilidade do núcleo do CPI indica que a inflação já pode ter atingido o pico, embora o aumento nos preços da gasolina em julho seja possível devido à alta do petróleo. Ele acredita que o Fed pode não subir os juros e que cortes podem ocorrer a partir de meados de 2027.

Bolsa

O Ibovespa teve alta durante a sessão, impulsionado pelo alívio nas expectativas de alta de juros nos EUA e pela melhora do cenário geopolítico. O índice chegou a 177 mil pontos pela manhã e fechou em 176.641 pontos, alta de 0,51%.

Economistas do Bradesco destacaram que a composição do índice de inflação foi favorável ao mercado, sinalizando possível pausa ou cortes futuros nas taxas de juros pelo Fed.

O presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que a missão de controlar a inflação ainda não está concluída.

O avanço do Ibovespa foi liderado pelo desempenho das ações da Petrobras e a alta do minério de ferro, apesar da alta do petróleo. O volume financeiro foi de R$ 21,8 bilhões.

Daniel Teles, especialista da Valor Investimentos, acredita que a Bolsa brasileira pode ser beneficiada caso o Fed não aumente os juros no curto prazo, atraindo investidores institucionais para mercados emergentes e commodities.

Juros

Os juros futuros na B3 caíram, influenciados pelo índice de inflação americano abaixo do esperado. O recuo do CPI derrubou também as taxas dos Treasuries e enfraqueceu o dólar, afetando o mercado de renda fixa local.

As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) para 2027, 2029 e 2031 registraram baixas na sessão.

Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, afirmou que a queda do dólar para R$ 5,07 alivia os juros locais, mas o mercado mantém cautela devido à guerra no Oriente Médio e à volatilidade do petróleo.

Stephen Brown, economista-chefe para América do Norte da Capital Economics, acredita que investimentos em inteligência artificial e a retomada do consumo devem manter a inflação subjacente elevada, e prevê aumentos de juros pelo Fed ainda este ano.

No mercado local, a probabilidade de corte da taxa Selic em agosto subiu para 94%, enquanto as chances de manutenção caíram para 6%, com expectativa de cortes adicionais em setembro. Essa avaliação é baseada em análise do economista-chefe Luciano Rostagno, da EPS Investimentos.

Publicado pelo Estadão Conteúdo.

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