A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) concluiu que a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek, em 1976, foi causada pela ditadura militar. O relatório, apresentado durante coletiva no Ministério Público Federal, rejeita a versão anterior de que JK teria morrido em um acidente automobilístico na Rodovia Presidente Dutra.
A aprovação do relatório ocorreu com seis votos favoráveis e uma abstenção, em reunião no auditório da Procuradoria Regional da República da 3ª Região, na cidade de São Paulo (SP).
Estavam presentes na coletiva a presidente da CEMDP, a procuradora regional da República Eugênia Augusta Gonzaga, a professora Maria Cecília Adão, relatora do caso, e a deputada federal Natália Bonavides, integrante da comissão.
A votação inicialmente prevista para abril foi adiada para permitir mais tempo para análise do conteúdo e comunicação aos familiares de JK. A relatora do caso estudou mais de cinco mil páginas de documentos e anexos para elaborar o parecer.
O pedido para revisão do caso foi feito por Gilberto Natalini, ex-presidente da Comissão da Verdade Municipal de São Paulo, e pelo jornalista Ivo Patarra, após a retomada das atividades da CEMDP.
Contexto e reabertura do caso
JK morreu em agosto de 1976, em um acidente na viagem entre São Paulo e Rio de Janeiro. O carro dirigido por Geraldo Ribeiro colidiu com um caminhão em Resende, e ambos faleceram no local.
O episódio levantou suspeitas de motivação política devido ao ambiente da ditadura militar e à Operação Condor, que visava perseguir opositores políticos na América do Sul.
Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade descartou provas de assassinato e envolvimento do regime militar na morte de JK. No entanto, em 2019, um laudo do engenheiro Sergio Ejzenberg contestou a dinâmica do acidente, influenciando o novo relatório da CEMDP.

