Uma quantia significativa de dinheiro, que ficou esquecida por pessoas e empresas em bancos e instituições financeiras, diminuiu para R$ 6,24 bilhões em maio, conforme divulgado pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (14).
Esse valor é menor comparado aos meses anteriores, quando ultrapassava R$ 10 bilhões, devido a uma transferência de R$ 5,7 bilhões para o Fundo Garantidor de Operações (FGO), que apoia o programa Desenrola Brasil. Mesmo assim, ainda há bilhões de reais disponíveis para saque por quem ainda não retirou seu dinheiro.
A queda foi ocasionada pela nova Lei 14.973/2024, que permitiu a transferência dos valores que não foram resgatados dentro do prazo definido pelo governo. O Tribunal de Contas da União (TCU) está avaliando essa operação para verificar se os recursos que não fazem parte do Orçamento público estão sendo usados em programas federais.
O Banco Central informa que pelo menos 10% do valor transferido está reservado para possíveis resgates futuros pelos donos do dinheiro.
Desses R$ 6,24 bilhões restantes para devolução, R$ 4,44 bilhões pertencem a 24,08 milhões de pessoas físicas e R$ 1,8 bilhão a 2,27 milhões de empresas. Desde que o Sistema de Valores a Receber (SVR) foi criado, R$ 15,47 bilhões já foram devolvidos aos legítimos donos.
O dinheiro está distribuído entre diversas instituições financeiras. A maior parte está nos bancos, que ainda devem R$ 2,91 bilhões. Depois vêm as administradoras de consórcio, com R$ 2,25 bilhões; cooperativas de crédito com R$ 586,7 milhões; instituições de pagamento com R$ 311,5 milhões; financeiras com R$ 106,3 milhões; corretoras e distribuidoras com R$ 71 milhões; e outras instituições com R$ 8,8 milhões.
Qualquer pessoa ou empresa que tenha tido relação com essas instituições pode ter dinheiro esquecido, que pode vir de saldos em contas-correntes ou poupanças encerradas, tarifas cobradas indevidamente, valores pagos a mais em empréstimos, saldos de contas de pagamento encerradas, recursos de consórcios finalizados, cotas de cooperativas de crédito, contas de investimento encerradas, entre outros.
A pesquisa mostra que a maioria dos beneficiários tem quantias pequenas: 67,6% têm até R$ 10 para receber; 19,5% têm entre R$ 10,01 e R$ 100; 10,4% possuem entre R$ 100,01 e R$ 1.000; e 2,46% têm mais de R$ 1.000 disponíveis para sacar.
A consulta é gratuita e deve ser feita somente pelo Sistema de Valores a Receber, do Banco Central. Para isso, é necessário informar CPF ou CNPJ, fazer login com uma conta Gov.br de nível prata ou ouro e seguir as instruções para pedir a devolução. Quem não tem chave Pix pode combinar uma forma diferente de receber diretamente com a instituição financeira.
O Banco Central também oferece uma opção de resgate automático para pessoas físicas que usam o CPF como chave Pix. Ao ativar essa função, novos valores descobertos serão depositados automaticamente, sem precisar fazer nova solicitação. Essa opção não está disponível para empresas, contas conjuntas ou instituições financeiras que ainda não aderiram ao sistema.
É possível também consultar valores esquecidos em nome de pessoas falecidas. Neste caso, o pedido deve ser feito por um herdeiro, inventariante, testamentário ou representante legal, utilizando sua conta Gov.br e assinando um termo de responsabilidade. Depois de encontrar o dinheiro, é necessário contatar a instituição financeira para liberar os valores.
Informações fornecidas pela Agência Brasil.
