VITOR HUGO BATISTA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
Muitos homens evitam ir ao médico, o que dificulta a prevenção de doenças. Alguns só buscam ajuda quando já estão com problemas graves. O Dia do Homem, celebrado em 15 de novembro, tem o objetivo de incentivar os homens a cuidar melhor da saúde.
Especialistas dizem que saber qual médico consultar em cada etapa da vida pode ajudar a detectar doenças cedo e evitar complicações.
De acordo com a psicóloga Priscila Maria Gabos, do Hospital Samaritano Higienópolis, da Rede Américas, os homens muitas vezes resistem a buscar um médico por questões culturais, e não por falta de informação.
“Muitos homens foram ensinados a pensar que devem suportar a dor e resolver os problemas sozinhos”, explica.
Isso faz com que sintomas físicos e emocionais sejam ignorados. Com isso, o diagnóstico atrasa, a prevenção fica difícil e o risco de problemas sérios aumenta.
“A ideia tradicional de que homem não deve mostrar vulnerabilidade pode fazer com que eles não cuidem de si. Reconhecer limites, falar sobre sentimentos e buscar ajuda são sinais de autocuidado e maturidade emocional”, afirma Gabos.
Ela destaca que saúde é muito mais que não ter doença, envolve também bem-estar físico, emocional e social. Isso inclui consultas regulares, exercícios, sono de qualidade, alimentação saudável, bons relacionamentos e formas de lidar com o estresse.
“Quanto mais natural for para os homens cuidarem da saúde, mais chances terão de viver bem e por mais tempo”, completa.
Para a médica de família Rosana Castello Branco, do Hospital São Domingos, em São Luís (MA), o cuidado deve começar na infância e continuar ao longo da vida, focado na prevenção e adaptado a cada pessoa.
Quais médicos ver e em que idade?
Na infância, o pediatra é o primeiro médico que deve acompanhar a criança. Ele avalia o crescimento, o desenvolvimento, a higiene, a saúde bucal, aspectos emocionais, maturação sexual e a vacinação.
Alguns problemas nessa fase, como fimose e questões nos testículos, precisam ser tratados cedo. O médico de família também é importante desde pequeno.
Na adolescência, é fundamental consultar um urologista, idealmente entre 12 e 18 anos, segundo Ricardo Ferro, coordenador de Urologia do Hospital Brasília, da Rede Américas.
O urologista orienta sobre infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), higiene, sexualidade e autocuidado, além de acompanhar o desenvolvimento durante a puberdade.
Entre 20 e 39 anos, o médico de família continua sendo o principal profissional para prevenção. Ele verifica a vacinação, monitora obesidade, pressão alta, diabetes e ISTs. Caso necessário, encaminha para especialistas.
“Manter as vacinas em dia é uma das principais medidas, mas muitos adultos deixam de conferir isso”, diz Branco.
O urologista também é importante nessa fase para cuidar da saúde sexual e reprodutiva, e diagnosticar problemas como varicocele, principal causa de infertilidade masculina, e câncer de testículo, que é mais comum em homens jovens.
Aos 40 anos, os cuidados com doenças do coração, diabetes, colesterol alto e certos tipos de câncer aumentam.
Os exames são personalizados conforme o histórico do paciente e podem envolver cardiologista e endocrinologista.
A partir dos 45 anos, começa-se a avaliar a próstata para câncer. Esse câncer não tem sintomas no começo, e muitos são diagnosticados tardiamente, o que dificulta o tratamento. Por isso, é importante monitorar desde essa idade.
Homens sem fatores de risco devem iniciar essa avaliação aos 50 anos. Porém, quem tem histórico familiar de câncer de próstata, é negro ou está acima do peso, deve começar aos 45 anos.
O exame inclui toque retal e exame de sangue PSA, que são complementares.
Depois dos 60 anos, o médico de família acompanha a prevenção de quedas, mantém a autonomia, avalia a saúde do cérebro, audição e visão, revisa medicações e o estado nutricional, pois a perda de massa muscular pode afetar a qualidade de vida.
Se preciso, encaminha para especialistas conforme as necessidades do paciente.


