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terça-feira, 19/05/2026

Digimais aplica R$ 3 bilhões em fundos sem documentos auditados

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MAELI PRADO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O banco Digimais, controlado por Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e proprietário da TV Record, destinou R$ 3 bilhões para fundos de investimento cujos documentos financeiros não foram auditados por falta de registros.

Esse valor corresponde a 73% do total investido pelo banco em fundos, conforme alerta da auditoria Clifton Larson Allen Brasil no balanço do segundo semestre de 2025 do Digimais. A informação foi divulgada pelo jornal O Estado de São Paulo e confirmada pela Folha de S.Paulo.

O banco Digimais declarou que não pode comentar devido ao período de silêncio relacionado às negociações para sua venda. “O Digimais reforça que todas as suas operações seguem práticas normais de mercado, são auditadas e estão alinhadas com as diretrizes de uma instituição do seu porte”, afirmou em nota.

Os auditores reportaram que o Digimais vendeu R$ 741,3 milhões em cotas de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), chamado Hermon, para a holding B.A. Empreendimentos e Participações, que pertence a Edir Macedo e controla o banco.

Essa venda reverteu provisões para perdas com crédito feitas pelo banco e teve impacto positivo de R$ 126 milhões no balanço de 2025, ajudando o Digimais a fechar o ano com lucro.

Apesar de pareceres legais indicarem a regularidade da operação, a auditoria apontou que a transação pode não refletir condições comuns de mercado, pois não prevê remuneração compatível com sua natureza econômica.

Além disso, o pagamento da operação ainda está pendente, com vencimento previsto para 29 de dezembro de 2032.

“Até o momento da emissão deste relatório, não encontramos evidências suficientes para confirmar a correta classificação, mensuração do ativo reconhecido e os efeitos contábeis da transação”, destacou a Clifton Larson Allen Brasil.

A auditoria também apontou que vários outros investimentos em FIDCs, fundos de participação e fundos imobiliários não puderam ser auditados devido à falta de demonstrações financeiras auditadas ou atualizadas.

“Por esses motivos, não foi possível realizar auditorias confiáveis sobre esses investimentos.”

O banco vem enfrentando dificuldades financeiras há anos e passou por aportes de recursos pelo controlador, o que levou a tentativas de venda. Em abril, o BTG Pactual assinou um acordo de intenção para comprar o banco.

Fontes próximas informaram que a conclusão depende de várias negociações, incluindo um acordo com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para financiar a operação.

O BTG Pactual confirmou que assinou documentos para possível compra, sujeita a condições e processo competitivo.

“A operação ainda não foi concluída e deverá ocorrer por meio de leilão. A transação depende de suporte financeiro, incluindo a participação do FGC. Nosso interesse está na carteira de clientes do banco”, disse o BTG em nota.

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