Gabriel de Sá Campos, ex-líder religioso de 30 anos no Distrito Federal, encontra-se internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Daher. Ele foi hospitalizado após uma infecção urinária que evoluiu para insuficiência respiratória aguda e sepse urinária.
Desde dezembro de 2025, Gabriel de Sá está preso, respondendo a acusações de estupro contra oito menores em uma igreja evangélica no Guará. Ele foi transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda em fevereiro deste ano.
O paciente apresentou sintomas como febre, tosse, dor de cabeça, falta de ar, dores abdominais e urina escurecida. Na UTI, foi necessário realizar intubação orotraqueal e administrar altas doses de noradrenalina para manter a pressão arterial. O quadro evoluiu para insuficiência múltipla de órgãos, levando a equipe médica a adotar cuidados paliativos por considerar o caso irreversível.
Investigação
Gabriel de Sá é investigado por crimes de estupro de vulnerável e importunação sexual. Ele utilizava sua posição de liderança para acessar as vítimas e explorar a confiança das famílias, cometendo abusos contra jovens do sexo masculino por pelo menos seis anos.
As investigações apontam comportamento sistemático, com manipulação psicológica e planejamento, incluindo o uso de sua função como instrutor de um curso de “integridade sexual” para identificar vulnerabilidades nas vítimas.
Os abusos ocorreram tanto dentro da igreja, durante eventos sob sua responsabilidade, quanto na casa do acusado, sob o pretexto de sessões de cinema com os jovens.
Ocultação dos crimes
Relatos indicam que Gabriel de Sá continuava os abusos mesmo após pedidos para parar. Para evitar as importunações, muitos adolescentes se escondiam ou pediam para ser buscados pelos pais.
Em dezembro de 2024, o pai do acusado e o presidente da igreja minimizaram os fatos, tratando-os como “brincadeira” e solicitando sigilo. Em uma reunião com lideranças em novembro de 2025, um diácono chamou os episódios de “mal-entendidos” e sugeriu um “pacto de sigilo”, afirmando que problemas da igreja seriam resolvidos internamente, o que caracterizou tentativa de obstrução da Justiça.
Na mesma ocasião, Gabriel de Sá anunciou afastamento das atividades religiosas, mas continuou frequentando cultos e acessando áreas restritas da igreja.
