Os corpos da Manal Jaafar, brasileira, e de seu marido, o libanês Ghassan Nader, que morreram no domingo, dia 26, durante um ataque israelense no distrito de Bint Jbeil, no sul do Líbano, ainda não foram localizados até terça-feira, dia 28, conforme informou o irmão de Ghassan, Bilal Nader. O filho mais novo do casal, Ali Ghassan Nader, de 11 anos e também brasileiro, morreu no bombardeio.
Bilal disse em entrevista à TV Globo que a família não morava mais na casa que foi bombardeada, mas voltou ao local após o cessar-fogo para buscar pertences.
“Com a trégua, quando os ataques pararam, eles foram até a casa para verificar as condições. Eles olharam tudo, tomaram café da manhã, e estavam organizando as malas e os objetos que iriam levar”, contou o familiar.
Oficialmente, Israel e o grupo militante Hezbollah, aliado ao Irã, estão em cessar-fogo desde 17 de abril, com previsão de término no domingo, dia 26, que foi estendido por mais três semanas, segundo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. No entanto, os confrontos entre os dois lados continuam acontecendo.
Bilal relatou que, no momento do ataque, seu irmão e sua cunhada estavam dentro da casa, enquanto os dois filhos do casal estavam do lado de fora.
“Os dois, meus sobrinhos, estavam voando por causa da explosão. O menor não resistiu. O outro, mais velho, está se recuperando bem”, disse o tio. O enterro de Ali ocorreu na segunda-feira, dia 27.
A residência da família, que tinha três andares, foi completamente destruída pelo bombardeio. “O ataque foi tão forte que a casa desabou completamente, virando pedaços”, afirmou.
As mortes de Ali e Manal foram confirmadas pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil na noite de segunda-feira. Em comunicado, o órgão afirmou que o ataque representa mais uma violação do cessar-fogo vigente e lembrou que essas quebras de acordo já causaram a morte de dezenas de civis libaneses, incluindo mulheres, crianças, uma jornalista e dois soldados franceses da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil).
“O Brasil expressa profundas condolências aos familiares das vítimas e condena veementemente todos os ataques que ocorreram durante o cessar-fogo, seja por parte das forças israelenses ou do Hezbollah”, declarou o Itamaraty.
“A Embaixada do Brasil em Beirute está em contato com a família dos brasileiros falecidos para oferecer assistência consular, incluindo ao filho hospitalizado”, acrescentou.
Um levantamento da Agência France-Presse (AFP), com base em dados do Ministério da Saúde do Líbano, revelou que pelo menos 36 pessoas morreram em ataques israelenses desde o início do cessar-fogo.
Pouco antes do bombardeio de domingo, as Forças de Defesa de Israel (IDF) emitiram um alerta pedindo que moradores de várias vilas no sul do Líbano deixassem suas casas. Entre as áreas citadas pelo porta-voz em árabe da corporação, Avichay Adraee, estava Bint Jbeil. O aviso, porém, não mencionava um ataque iminente.
Na terça-feira, as IDF declararam que seriam “forçadas a agir fortemente contra” o Hezbollah devido a uma suposta “violação do acordo de cessar-fogo” pelo grupo, e novamente pediram que as pessoas deixassem as regiões afetadas. “Quem estiver próximo a membros do Hezbollah, suas instalações ou meios de combate, coloca a própria vida em risco”, afirmaram.
Estadão Conteúdo.
