BRUNA FANTTI E JOSUÉ SEIXAS
RIO DE JANEIRO, RJ, E RECIFE, PE (FOLHAPRESS)
O governo dos Estados Unidos declarou o Comando Vermelho (CV) como um grupo terrorista ao mesmo tempo em que a organização tem aumentado sua atuação em várias regiões do Brasil.
O crescimento do CV tem causado maior disputa entre criminosos no Rio de Janeiro e em outras áreas do país, especialmente no Norte e Nordeste, segundo dados de polícia e pesquisas em segurança pública.
Uma pesquisa feita pelo Instituto Fogo Cruzado em conjunto com o GENI-UFF da Universidade Federal Fluminense revelou que o CV é a facção que mais expandiu seu território na região metropolitana do Rio de Janeiro nos últimos anos, tomando locais antes controlados por milícias e facções rivais.
Os estudos também mostram os efeitos dessa violência na vida das pessoas, como fechamento de escolas, interrupção no transporte e sensação constante de medo.
No Norte, o grupo aumentou sua presença na Amazônia Legal, aproveitando rotas internacionais de tráfico de drogas da Colômbia e Peru, além de atividades ilegais como garimpo e exploração de madeira.
No Nordeste, o crescimento do Comando Vermelho ocorre com a junção de grupos locais e formação de alianças regionais.
O sociólogo Luiz Fábio Paiva, da UFC, destaca que o modelo do CV é diferente do do PCC, que também foi classificado como organização terrorista pelos EUA. Enquanto o PCC mantém um controle centralizado, o CV se expande graças à integração de grupos locais que atuam com alguma independência.
No Ceará, o CV tomou áreas que antes pertenciam a facções locais, o que aumentou a violência, expulsão de famílias, extorsão e domínio de serviços em bairros periféricos da Grande Fortaleza.
No Rio Grande do Norte, o Comando Vermelho rompeu com o Sindicato do Crime e passou a disputar diretamente territórios, chegando em localidades como Tibau, Grossos, Baraúna e Mossoró, conforme dados da Polícia Civil.
Recentemente, alguns suspeitos ligados a assassinatos nessa guerra entre facções foram presos.
O delegado Alex Wagner, da Polícia Civil do Oeste Potiguar, afirmou que o momento atual é o auge da disputa pelo território.
Em Alagoas, lideranças do CV do Complexo do Alemão, no Rio, continuam influenciando áreas dominadas pela facção na Rota dos Milagres, litoral norte do estado, com a polícia associando o grupo a casos de desaparecimentos na região e decisões tomadas por um chamado “tribunal do crime”.
O Comando Vermelho ainda controla diversas regiões do Rio de Janeiro e tem histórico de conflitos com outros grupos e forças de segurança.
Na última quinta (28), um policial morreu e três ficaram feridos em uma operação na comunidade da Covanca, zona oeste do Rio controlada pelo CV.
Na semana anterior, dois corpos foram achados na mata do morro da Babilônia, em Copacabana, considerada ligação com brigas entre facções.
A Polícia Civil do Rio informou que atua continuamente contra essas facções, focando na prisão de líderes, combate ao tráfico e enfraquecimento financeiro dos grupos.
A Operação Contenção é uma das estratégias do governo estadual para conter o avanço do CV, reunindo ações de inteligência, investigação e integração entre órgãos.
Uma etapa da Contenção no Complexo da Penha resultou em 122 mortes.
Na sexta-feira (29), houve mais uma fase da operação focada nas finanças da facção, com 24 prisões e a descoberta de um esquema de lavagem de dinheiro de mais de R$ 453 milhões.
Desde março de 2025, a operação já prendeu mais de 345 suspeitos, resultou em 137 mortes em confrontos e apreendeu 477 armas, incluindo 190 fuzis, além de mais de 51 mil munições.

