FELIPE MENDES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O vice-presidente de atacado do Bradesco, Bruno Boetger, expressou preocupação de que o Banco Central possa precisar reduzir o ritmo de queda da taxa de juros no Brasil devido ao aumento da guerra no Irã. O banco estima que a taxa Selic estará em torno de 12,5% no final deste ano.
Em março, o Banco Central diminuiu a taxa de juros para 14,75% ao ano, a primeira redução desde 2024. Boetger afirmou em coletiva no 12º Brazil Investment Forum, evento promovido pelo Bradesco BBI, que se a guerra se intensificar, os juros permanecerão elevados por mais tempo.
Em um cenário otimista em que o conflito termine logo, o preço do barril de petróleo poderia cair para cerca de US$ 80 em poucos meses. Atualmente, o petróleo Brent, referência do mercado, está próximo a US$ 110. Boetger destacou que a guerra causa incertezas e instabilidade, o que pode impactar levemente a inflação, permitindo que os juros no Brasil diminuam.
O executivo também mencionou que 2026 vem sendo um ano positivo para a entrada de investimentos estrangeiros na Bolsa de Valores brasileira. Desde janeiro até o início de abril, estrangeiros investiram um saldo positivo de R$ 54,7 bilhões na B3. Boetger afirmou que essa entrada de investidores está fortalecendo o mercado acionário neste ano.
O Bradesco projeta até dez ofertas de ações na B3 em 2026, somando R$ 15 bilhões, entre IPOs e emissões secundárias. Para os IPOs, Boetger acredita que pode haver pelo menos uma abertura de capital, sem especificar setores, embora empresas de saneamento como Aegea e BRK estejam avançando para serem listadas.
Embora a guerra tenha impactado as expectativas para IPOs, Boetger acredita que ainda existem oportunidades para empresas selecionadas no mercado de capitais, destacando setores que crescem como infraestrutura, energia, saneamento, portos e rodovias, mesmo que nem todos façam novas ofertas.
Ele também afirmou que, no momento, a eleição presidencial não é vista como um problema para o mercado financeiro. As maiores preocupações são relacionadas à guerra, aos juros e à volatilidade.
Investimentos
Boetger percebe que os investidores pessoa física estão migrando para investimentos de menor risco, como CDBs de grandes bancos e poupança.
O banco estima que as emissões locais de renda fixa totalizem cerca de R$ 550 bilhões em 2026, abaixo dos cerca de R$ 740 bilhões registrados no ano anterior. Até agora, os fundos de crédito apresentam captação líquida negativa de aproximadamente R$ 6 bilhões, revertendo o saldo positivo de cerca de R$ 40 bilhões de 2025.
Boetger comentou que está menos otimista que no início do ano devido à guerra em andamento, que trouxe volatilidade, somada a eventos corporativos que afetaram o mercado local, deixando-o em espera para reavaliar preços e volumes.

