A Polícia Civil de São Paulo conduz uma operação contra a produtora Karina Gama, responsável pelo filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) têm atuado nos bastidores para evitar que seu nome seja ligado publicamente às investigações.
Fontes próximas informam que parlamentar e membros da base bolsonarista decidiram não fazer declarações públicas sobre o caso, para evitar reforçar a associação entre Flávio Bolsonaro e a investigação envolvendo a produtora Go Up Entertainment, ligada ao filme.
Até o momento, o próprio senador foi o único a se manifestar publicamente. Em uma agenda realizada em Belo Horizonte, ele afirmou que a investigação “não tem nada a ver com o filme” e negou qualquer ligação entre a produção e os contratos sob apuração.
Flávio Bolsonaro também declarou esperar que a Polícia Civil não esteja sendo usada para fins eleitorais.
A operação apura suspeitas de desvio de recursos de um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB). Parte desses recursos pode ter sido direcionada à produtora responsável por Dark Horse.
Aliados afirmam que a investigação trata de possíveis irregularidades em contratos relacionados ao programa de Wi-Fi da cidade, e não à produção do filme, orientando evitar manifestações públicas que possam aumentar o vínculo político entre o caso e a família Bolsonaro.
Reações dos governistas
Após a operação, membros do governo passaram a associar diretamente Flávio Bolsonaro ao caso nas redes sociais.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) citou a produtora Karina Gama e relembrou reportagem que mostrou tratativas de Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para obtenção de R$ 61 milhões destinados à produção de Dark Horse.
“Já pedimos à Interpol para investigar onde estão os R$ 61 milhões que o Flávio pediu ao Vorcaro“, afirmou o parlamentar.
Na mesma linha, o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), comentou que, quanto mais se investiga, mais crescem as conexões entre Daniel Vorcaro, Banco Master e a família Bolsonaro.

