O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não participou do evento que marcou os 100 dias do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, uma iniciativa entre os Três Poderes lançada em fevereiro. Nesta cerimônia, estavam presentes os presidentes dos três poderes, mas Alcolumbre foi o único que não compareceu.
Segundo a assessoria do senador, a ausência foi por motivos pessoais. A representação do Legislativo ficou com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e com o segundo vice-presidente do Senado, Humberto Costa (PT-PE), que participaram ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin.
Integrantes do governo interpretam a falta como mais um sinal de distanciamento entre Lula e Alcolumbre. Na semana anterior, o senador também não participou do lançamento do Programa Brasil contra o Crime Organizado, evento ocorrido no Palácio do Planalto, quando apenas Motta representou o Legislativo.
Reencontros e afastamento
Desde a rejeição de Jorge Messias ao STF, Lula e Alcolumbre estiveram juntos publicamente em poucas ocasiões e tiveram pouca interação. Na cerimônia de posse de Odair Cunha como ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), os dois estavam sentados próximos, mas sem contato durante o evento, trocando apenas cumprimentos ao final para fotos.
Em outra cerimônia de posse, a do ministro Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o encontro público entre os dois também foi marcado por distância e desconforto visível.
Rejeição de Messias ao STF
- A última rejeição a indicações para o STF pelo Senado ocorreu em 1894, durante o governo de Floriano Peixoto.
- Naquela ocasião, cinco nomes foram rejeitados.
- A indicação de Jorge Messias recebeu 42 votos contra e 34 a favor.
- Era necessário ao menos 41 votos favoráveis para aprovação.
- A demora na indicação e a vaga aberta desde a aposentadoria do ministro Barroso deixam o STF desfalcado.
Um outro episódio que reforça o distanciamento ocorreu durante a cerimônia no TSE, quando Alcolumbre evitou aplaudir Jorge Messias após o seu nome ser citado no discurso do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti.
Apaziguamento
Interlocutores do presidente Lula trabalham para diminuir a tensão entre o Palácio do Planalto e a liderança do Senado. Parlamentares que apoiam o governo defendem a continuidade do diálogo com Alcolumbre para garantir o avanço de pautas importantes. Também há esforços para organizar um encontro fechado entre Lula e o presidente do Senado, a fim de reaproximar os dois.
Após a rejeição de Messias, os ministros José Múcio (Defesa) e José Guimarães (Relações Institucionais), com boa relação no Congresso, se reuniram com Alcolumbre. Aliados dizem que os encontros tiveram como objetivo aliviar a tensão e melhorar o diálogo. Fontes próximas afirmam que ambos estão dispostos a realizar uma reunião presencial.

