VITOR HUGO BATISTA
FOLHAPRESS
A cantora e atriz Ariana Grande, 33 anos, recebeu muitos comentários sobre sua magreza após lançar o novo clipe “Petal” na última sexta-feira (31). A artista não confirmou ter qualquer transtorno alimentar, mas o vídeo gerou um debate sobre o assunto.
Especialistas explicam que transtornos alimentares não são percebidos apenas pela aparência ou por estar muito magro. Uma pessoa pode ter um peso considerado normal para sua altura e ainda assim sofrer com problemas relacionados à comida e à imagem corporal.
Nesses casos, em vez de criticar hábitos alimentares, psicólogos recomendam evitar comentários sobre peso e aparência e mostrar preocupação com o bem-estar da pessoa.
Nas redes sociais, algumas pessoas comentaram: “Quando será que alguém vai ajudar? Ela está muito magra” e “Queremos que você esteja saudável, não parecendo que uma brisa vai te levar”.
Após essas discussões, um representante da artista informou à revista People que Ariana Grande planeja uma pausa após o fim de sua atual turnê, “Eternal Sunshine”, que termina em 1º de setembro em Londres. A decisão estaria relacionada à pressão do público sobre a aparência da cantora.
A psicóloga Cláudia Melo, especialista em vícios e transtornos, destaca que o transtorno alimentar não tem uma aparência específica. Os sinais podem surgir em comportamentos, como preocupação exagerada com peso e calorias, restrição alimentar, exercícios em excesso e evitar comidas em grupo.
A psicóloga Mariana Ramos, professora de psicologia na Afya Itaperuna, acrescenta que o isolamento social, irritabilidade, insatisfação com o corpo e pensamentos constantes sobre comida também são sinais possíveis.
Ela explica que a pessoa pode evitar restaurantes, festas e encontros familiares com medo de perder o controle sobre a alimentação e depois se sentir culpada. Também pode criar rituais rigorosos durante as refeições ou eliminar grupos alimentares sem orientação médica.
Sozinhos, esses comportamentos não indicam necessariamente um transtorno. Mas se forem frequentes e fortes, interferindo na rotina, nas relações sociais e no bem-estar, merecem atenção.
Para amigos e familiares, a forma de abordar quem sofre pode influenciar. Os especialistas recomendam evitar começar a conversa falando sobre aparência ou peso.
Cláudia Melo recomenda que frases como “você está muito magra” ou “você precisa comer” podem causar vergonha e afastamento.
Ela sugere falar sobre mudanças percebidas, como evitar festas ou dificuldades para comer na companhia de outras pessoas. O objetivo é mostrar cuidado sem cobrar.
É importante que a pessoa saiba que tem alguém que a conhece antes dessa situação e está ali para apoiar e ouvir, o que pode fazer com que ela se sinta segura para falar sobre o que está vivendo.
Mariana Ramos concorda que críticas devem ser evitadas pois podem piorar a autocrítica e a culpa da pessoa.
Ela indica demonstrar preocupação com o sofrimento e oferecer ajuda, por exemplo dizendo: “Tenho percebido que você parece estar passando por um momento difícil e quero ajudar”. Uma conversa acolhedora e tranquila pode ser o primeiro passo para que a pessoa aceite buscar ajuda.
O tratamento geralmente envolve profissionais de diferentes áreas, como psicólogo, psiquiatra, nutricionista e médicos, dependendo das necessidades do paciente.
Também é importante que a família receba orientação para entender o transtorno e saber como agir. O objetivo não é controlar a alimentação, mas criar um ambiente de apoio sem julgamentos.
Cláudia Melo ressalta que em alguns casos a família é incluída no tratamento, pois o ambiente familiar pode influenciar o sofrimento. Ela afirma: “Não se trata de vaidade, falta de disciplina ou escolha pessoal. Estamos falando de um transtorno”.
