O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, declarou nesta quinta-feira (21/5) que Kiev está pronta para tomar medidas preventivas contra possíveis ameaças militares vindas da Rússia e de Belarus no norte da Ucrânia.
Durante sua visita à cidade de Slavutych, perto da fronteira com Belarus, Zelensky afirmou que o governo vai reforçar a defesa nas regiões de Kiev e Chernigov diante do receio de uma nova ofensiva russa com apoio das forças bielorrussas.
“Temos capacidade para fortalecer nossas defesas e também para agir preventivamente contra territórios russos de onde possam surgir ameaças, bem como em relação à liderança de fato da Bielorrússia”, afirmou o presidente ucraniano.
Preocupação com nova ameaça
Essas declarações acontecem em um momento de crescente preocupação em Kiev sobre uma possível tentativa da Rússia de abrir uma nova frente de conflito no norte da Ucrânia, com o envolvimento de Belarus, seu principal aliado na região.
O temor se intensificou após Belarus iniciar exercícios militares conjuntos com uso de armas nucleares com Moscou. Desde o início da invasão russa em grande escala em 2022, o território bielorrusso tem sido usado como base para operações russas.
No entanto, o presidente de Belarus, Alexander Lukashenko, negou que seu país pretenda se envolver diretamente na guerra, a menos que haja agressão contra Belarus.
“Estou disposto a me encontrar com Zelensky em qualquer lugar — seja na Ucrânia ou em Belarus — para discutir as relações entre os dois países”, disse Lukashenko, conforme agência estatal.
Apesar disso, o governo ucraniano rejeitou a proposta de diálogo. O assessor de Zelensky, Dmytro Lytvyn, afirmou que as palavras de Lukashenko perderam credibilidade desde o início do conflito.
“Desde 2022, ficou claro que as palavras dele não valem muito e devemos observar suas ações”, declarou Lytvyn.
Os dois líderes não se encontram desde outubro de 2019, quando participaram de um fórum regional em Zhytomyr, Ucrânia, poucos anos antes da invasão russa.
Lukashenko também tem buscado aproximação com os Estados Unidos durante o governo do presidente Donald Trump, liberando presos políticos em troca de possível flexibilização das sanções ocidentais.
Essa possível flexibilização das sanções preocupa o governo ucraniano, que teme que o presidente russo, Vladimir Putin, possa esperar tratamento semelhante em futuras negociações caso Minsk seja beneficiada.
