FOLHAPRESS
Os preços do petróleo tiveram um aumento superior a 4% nesta quinta-feira (21), refletindo as incertezas nas conversas entre os Estados Unidos e o Irã para encerrar o conflito iniciado em 28 de fevereiro.
O barril Brent, referência global, atingiu a cotação de US$ 109,27 por volta das 10h30 (horário de Brasília), com alta de 4,05%. O contrato para julho começou o dia em US$ 105, caiu para US$ 103,82 às 6h30, mas posteriormente subiu até seu pico às 10h30 antes de recuar para US$ 105,56 às 14h10.
O petróleo tipo WTI (West Texas Intermediate), utilizado nos EUA, também registrou alta de 1,06%, sendo negociado a US$ 99,30 no contrato de junho.
O aumento no preço aconteceu após a agência Reuters divulgar que o líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, determinou que o país continuará a manter o urânio em seu território, sem enviar o material para o exterior, e que a produção não será interrompida.
Essa decisão contraria uma das exigências dos Estados Unidos, que desejam o fim do programa nuclear iraniano. Além disso, o presidente norte-americano, Donald Trump, teria garantido a autoridades israelenses que o urânio altamente enriquecido do Irã, necessário para fabricar armas atômicas, seria retirado do país, e que qualquer acordo de paz incluiria essa cláusula.
Israel, os Estados Unidos e outros países ocidentais acusam o Irã há muito tempo de tentar desenvolver armas nucleares, destacando a iniciativa iraniana de enriquecer urânio a 60%, valor superior ao necessário para usos civis e próximo dos 90% usados em armamentos. O Irã sempre negou a busca por armas nucleares.
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, as principais lideranças iranianas acreditam que enviar o urânio para fora do país os deixaria mais expostos a ataques futuros dos EUA e de Israel. Khamenei tem a palavra final sobre os temas mais importantes da nação.
Na quarta-feira, o Irã anunciou que está analisando uma nova proposta de paz dos EUA, entregue pelo Paquistão, que atua como mediador nas negociações. Em Washington, Trump declarou que as conversas estão no limite entre fechar um acordo ou retomar confrontos.
“Se não recebermos respostas adequadas, a situação evoluirá rapidamente. Estamos prontos para agir, mas esperamos uma resposta definitiva, 100% correta”, afirmou o republicano.
“Ou teremos um acordo, ou faremos algumas coisas desagradáveis. Espero que isso não aconteça”, acrescentou o presidente, que evitou projetar prazos. “Não tenho pressa, só desejo que haja menos mortes”, comentou.
O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, alertou que os EUA tentam iniciar uma guerra no Oriente Médio e avisou que Teerã se prepara para uma “resposta forte” contra possíveis ataques.
A Guarda Revolucionária do Irã também emitiu um aviso dizendo que se a agressão contra o país se repetir, a guerra regional prometida se expandirá além da região, e seus ataques serão devastadores.
