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Um ano de coronavírus no Brasil: os bastidores da descoberta do primeiro caso oficial

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Por mais que o primeiro caso tenha sido detectado no Brasil no dia 26 de fevereiro de 2020, hoje sabe-se que o coronavírus já circulava por aqui muito antes disso

 

O infectologista Fernando Gatti estava descansando em casa quando seu celular tocou por volta das 20h do dia 24 de fevereiro de 2020, uma Segunda-Feira de Carnaval.

Do outro lado da linha, um médico que trabalhava no plantão do pronto-socorro do Hospital Israelita Albert Einsten, na zona sul de São Paulo, tinha uma pergunta importante: ele deveria ou não pedir um teste de covid-19 para um paciente que apresentava sintomas de gripe e tinha acabado de voltar de uma viagem à Itália?

Gatti, que é coordenador médico do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Einstein, não teve dúvidas, e orientou seu colega a realizar o exame.

Em poucas horas, já no dia 25, o laudo deu a notícia que todo o Brasil sabia que viria, mais cedo ou mais tarde: o primeiro caso de covid-19 havia sido oficialmente detectado no país.

Mas antes de entrar nos detalhes desta história, é preciso retroceder algumas semanas para entender qual era o clima e o contexto no Brasil e no mundo.

Casa arrumada para o caos

As primeiras notícias sobre uma “pneumonia misteriosa” que estava afetando algumas partes da China começaram a surgir na mídia internacional no final de dezembro de 2019.

A informação de que a doença era causada por um novo tipo de coronavírus foi transmitida por cientistas chineses e divulgada a partir do dia 8 de janeiro de 2020.

Rapidamente, a cidade de Wuhan, capital da província de Hubei, foi identificada como epicentro da crise sanitária e teve seus aeroportos, portos, ferrovias e rodovias bloqueadas, numa tentativa de conter a disseminação do agente infeccioso.

Mas já era tarde demais: logo apareceram casos em outras partes da China e o agente infeccioso foi identificado em países próximos, como Japão e Tailândia.

Wuhan

Getty Images Primeiro caso de uma ‘pneumonia por causa desconhecida’ foi registrado em Wuhan no início de dezembro de 2019

Os episódios de covid-19 se espalharam rapidamente para outros continentes e foram detectados na Europa e na América do Norte.

Portanto, havia a certeza quase absoluta que o vírus chegaria em algum momento ao Brasil ainda no primeiro trimestre de 2020.

“E nós sabemos que o público que utiliza os serviços do Einstein e de outros hospitais particulares costuma fazer muitas viagens internacionais, então já imaginávamos que o primeiro caso poderia ser diagnosticado aqui”, aponta Gatti.

Foi justamente pensando nessa possibilidade que o infectologista liderou uma verdadeira força-tarefa para organizar a instituição para o que viria pela frente.

“Desde o início de janeiro de 2020 nós fizemos treinamentos para deixar toda a equipe preparada e reforçamos os estoques de equipamentos de proteção, como as máscaras, os aventais, as luvas, os óculos e o face shield”, lembra.

Segundo Gatti, outra decisão importante foi a de ampliar a suspeita de covid-19 para todos aqueles que tivessem feito viagens internacionais e apresentassem sinais sugestivos de uma infecção respiratória.

“Naquele momento, a Organização Mundial da Saúde só preconizava a realização de exames para aqueles indivíduos com sintomas que tinham retornado da Ásia”, diz.

A orientação para todos os médicos que faziam plantões no Einstein era uma só: ligar para o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar caso tivessem qualquer dúvida sobre a necessidade de fazer o teste para detectar o novo coronavírus nos pacientes que ingressavam pelo pronto-socorro da instituição.

O primeiro de 10 milhões

E esse protocolo foi seguido à risca naquela noite de 24 de fevereiro.

Poucas horas depois, já na madrugada do dia 25/02, Gatti recebeu uma nova ligação em seu telefone: o Laboratório de Biologia Molecular do Einstein havia concluído a análise da amostra de material colhida do paciente e tinha encontrado o novo coronavírus ali.

Entre janeiro e fevereiro, os cientistas da instituição haviam examinado cerca de 20 a 30 casos suspeitos por semana, mas todos voltavam com resultados negativos.

A virologista Rúbia Anita Santana, coordenadora do Setor de Biologia Molecular do Einstein, se recorda da dificuldade em encontrar materiais e insumos num momento em que as informações sobre o novo coronavírus estavam absolutamente desencontradas.

“Não existia no mercado nenhum kit de detecção pronto. Nós tivemos que desenvolver um novo produto do zero, para estarmos preparados quando a doença chegasse no Brasil”, conta.

Santana mal sabia que, passados alguns meses dessas primeiras experiências, ela e sua equipe precisariam fazer até 80 mil testes de covid-19 ao mês. “Reestruturamos completamente nosso espaço e nosso fluxo de trabalho. Foi muito desafiador”, destaca.

Ao receber a informação do laudo positivo, Santana, Gatti e a equipe do laboratório repetiram o exame novamente, para ter certeza de que não havia acontecido algum percalço no procedimento ou algum problema nos equipamentos do laboratório.

“Esse segundo teste foi processado durante a madrugada e, na manhã do dia 25, eu já estava no hospital quando ficamos sabendo que o resultado era mesmo positivo”, diz o infectologista.

Após a confirmação, o imunologista Luiz Vicente Rizzo, diretor do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, ficou responsável por levar a notícia ao alto comando do hospital.

“O protocolo já estava pronto e, quando o resultado saiu, as lideranças foram notificadas para seguir com o plano de divulgação”, descreve.

Antes de comunicar a imprensa e a sociedade, porém, as amostras do paciente foram enviadas para o Instituto Adolfo Lutz, que é o laboratório referência para a análise de doenças infecciosas no Estado de São Paulo.

Uma terceira rodada de testes, que se alongou pela tarde e pela noite da terça-feira (25/02), confirmou mais uma vez que se tratava mesmo do primeiro caso de covid-19 no Brasil.

O anúncio oficial foi feito no dia seguinte, na manhã da quarta-feira de cinzas, 26 de fevereiro, por Luiz Henrique Mandetta, o então ministro da Saúde.

“Agora, com o primeiro caso confirmado no Brasil, vamos ver como o vírus vai se comportar em um país tropical em pleno verão. É um vírus novo, que pode ou não manter o mesmo padrão de comportamento de transmissão que tem no hemisfério norte, com o frio”, discursou Mandetta naquele dia.

No mesmo evento, o então ministro da Saúde também descartou a possibilidade de fechar as fronteiras ou fazer testagem em aeroportos. “[Isso] não tem eficácia nenhuma, porque os pacientes podem ter o vírus sem apresentar sintomas. Essa é mais uma doença que a humanidade vai ter que enfrentar.”

Vale dizer, no entanto, que o caso identificado no Einstein, como descrito acima, foi o primeiro detectado de forma oficial.

Estudos posteriores divulgados a partir de maio de 2020 mostraram que o vírus já circulava pelo país muito antes dessa data — e se aproveitou das aglomerações e da falta de medidas de restrição para criar cadeias de transmissão Brasil adentro.

Evoluções e recaídas

À época, o primeiro diagnosticado com covid-19 no Brasil estava com 61 anos, morava em São Paulo e havia retornado de uma viagem pela Itália, onde permanecera entre os dias 9 e 21 de fevereiro.

A situação da Itália, mais especificamente na região da Lombardia, foi bastante dramática nos primeiros meses da pandemia. Cenas de caminhões militares transportando caixões pelas ruas da comuna de Bergamo foram um dos símbolos mais fortes da crise de saúde pública que abateu a Europa naquele momento.

Com incômodos como tosse, febre, dor de garganta e coriza, o paciente foi avaliado pelos médicos do Einstein e, como não apresentava sinais de complicação, acabou liberado para seguir o tratamento em casa, com orientações de quarentena bastante restritas.

Seu estado clínico era checado várias vezes ao dia por meio de conversas telefônicas e mensagens de WhatsApp.

“Uma semana depois, ele precisou ser internado porque a febre persistia. Durante a hospitalização, nós encontramos uma pneumonia bacteriana, que costuma ser um quadro associado a covid-19 em cerca de um terço dos casos”, estima Gatti.

Caminhões do exército italiano em comboio pelas ruas de Bergamo, na Itália

Getty Images Em Bergamo, na Itália, caminhões do exército foram recrutados para recolher os caixões dos mortos pela covid-19 e levá-los até os cemitérios e crematórios de cidades próximas

Após o tratamento adequado, a infecção nos pulmões acabou controlada e logo a alta hospitalar foi dada.

Gatti lembra que o paciente se mostrou bastante incomodado com a cobertura jornalística de sua condição de saúde. Ele sentia que as reportagens o apontavam como culpado por trazer a covid-19 ao Brasil — e hoje em dia não há dúvidas que o coronavírus já circulava por aqui antes de 26/02 e teve múltiplas entradas no país, com vários passageiros que retornaram já infectados de viagens internacionais.

O outro lado do consultório

Mas as complicações após o primeiro diagnóstico não se limitaram ao paciente. O médico também acabou sentindo abalos na própria saúde.

“Em março, eu tive um episódio de burnout e precisei tirar uma licença do trabalho durante dez dias”, revela Gatti.

Burnout é uma enfermidade psiquiátrica marcada pelo completo esgotamento físico e emocional que impede a pessoa de trabalhar ou fazer qualquer atividade.

O infectologista diz que parte de sua condição se deveu à frustração de lidar com uma doença nova, em que não havia conhecimento suficiente para oferecer o melhor tratamento a quem precisa de ajuda.

“Nós perdemos muitas vidas e é muito difícil comunicar a família. Depois de cada dia, sempre ficava pensando o que podia ter feito de diferente, de melhor, e não encontrava respostas”, comenta.

A crise só foi superada graças ao apoio psiquiátrico. “Nós precisamos falar mais sobre o esgotamento e a sobrecarga de trabalho que afetam todos os profissionais de saúde que estão na linha de frente da pandemia”, alerta Gatti.

Um ano depois, as lições

Passados 12 meses do primeiro diagnóstico oficial, o Brasil contabiliza mais de 10,2 milhões de casos e quase 250 mil mortes pela covid-19.

Até o momento, o Brasil é o país com o segundo número mais alto de óbitos de todo o mundo e o terceiro na quantidade de infectados em números absolutos.

Mas o que será que um ano de pandemia nos deixou de ensinamento? A BBC News Brasil fez essa pergunta para os três profissionais que estiveram envolvidos com o episódio dos dias 24, 25 e 26 de fevereiro de 2020.

Para Rizzo, a covid-19 escancarou a necessidade de investimentos na ciência colaborativa dentro do Brasil e no mundo.

“Enquanto cientistas, precisamos estar mais abertos para trabalhar em conjunto e entender que é impossível viver sem pesquisa. Se nós tivéssemos mantido os estudos sobre o Sars-CoV, o vírus causador da Síndrome Aguda Respiratória Grave (Sars) de 2003, talvez hoje entendêssemos um pouco melhor o coronavírus atual e já tivéssemos tratamentos para ele”, analisa.

O especialista destaca a façanha do desenvolvimento de uma vacina em menos de um ano e do esforço para estudar e conhecer os possíveis efeitos de diversos medicamentos contra a covid-19.

Santana sublinha a necessidade de lidar com o imprevisível e, de certa maneira, estar preparado para isso.

“O coronavírus fez a gente voltar ao jardim de infância da virologia e reaprender muito do que sabíamos sobre doenças infecciosas. Ele tem características únicas, muito diferentes daquilo que já tínhamos visto”, raciocina.

Por fim, Gatti entende que a comunicação e o trabalho em equipe foram decisivos para salvar muitas vidas.

“A pandemia deixou ainda mais nítida a noção de que a saúde não depende só do médico. A equipe multidisciplinar composta de enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, nutricionistas e os demais profissionais é decisiva para a melhora do paciente”, defende o infectologista.

No cenário em que a vacinação contra a covid-19 está disponível e sinaliza que a pandemia acabará (num futuro ainda distante), os exemplos do passado recente nos permitem lembrar o início de um ano que mudou o Brasil e o mundo para sempre.

 

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Covid-19: um terço dos infectados apresenta problemas neurológicos ou psiquiátricos

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A ansiedade e outros transtornos de humor também foram problemas apresentados como mais frequentes

(crédito: André Coelho/AFP – 5/3/21)

Um estudo britânico mostra fortes indícios de ligação entre a covid-19 e a ocorrência de problemas neurológicos e psiquiátricos. No artigo, publicado na última edição da revista The Lancet Psychiatry, a equipe de pesquisadores analisou dados de mais de 200 mil indivíduos que tiveram a doença causada pelo novo coronavírus e detectou taxas consideráveis de enfermidades como acidente vascular cerebral (AVC) e demência após a infecção, além de casos de ansiedade e outros distúrbios comportamentais.

Os especialistas usaram registros eletrônicos de 236.379 pacientes de covid, grande parte deles moradores dos Estados Unidos, e avaliaram as informações sobre a condição de saúde coletadas até seis meses depois da infecção pelo Sars-CoV-2. Por meio das observações, constataram que um em cada três sobreviventes da covid-19 (34%) foi diagnosticado com uma condição neurológica ou psiquiátrica no intervalo estudado.

A ansiedade (17%) e outros transtornos de humor (14%) foram os problemas mais frequentes. Os diagnósticos neurológicos, como AVC e demência, foram mais raros, mas não incomuns, em indivíduos que sofreram com a forma mais grave da covid-19. Dos pacientes internado em unidades de tratamento intensivo (UTIs), 7% tiveram um AVC e quase 2% foram diagnosticados com demência.

“Esses são dados do mundo real e de um grande número de pacientes. Eles confirmam as altas taxas de diagnósticos psiquiátricos após a covid-19 e mostram que também ocorrem distúrbios graves que afetam o sistema nervoso, como AVC e demência. Embora os últimos sejam muito mais raros, eles são significativos”, enfatiza Paul Harrison, principal autor do estudo e pesquisador da Universidade de Oxford, no Reino Unido.

Mais estudos

Os cientistas também compararam os dados com taxas de enfermidades neurológicas em pacientes recuperados de outras doenças virais, como gripe ou infecção do trato respiratório, no mesmo período do estudo. “Nossos resultados indicam que doenças cerebrais e transtornos psiquiátricos são mais comuns após a covid-19, mesmo quando pacientes são pareados por outros fatores de risco”, afirma Max Taquet, coautor do artigo e também pesquisador da universidade britânica.

Segundo a equipe, o estudo precisa ter continuidade para que os dados sejam considerados mais sólidos. Os cientistas indicam que é necessário entender se o novo coronavírus tem a capacidade de interferir no cérebro humano, como algumas pesquisas sinalizam. “Agora, precisamos ver o que acontece depois de seis meses. O estudo não pode revelar os mecanismos envolvidos, mas aponta para a necessidade de pesquisas urgentes para identificá-los”, avalia Taquet.

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Transplante inédito de traqueia pode ajudar intubados por covid-19

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De acordo com o hospital, é a primeira vez que a traqueia de um doador é transplantada diretamente ao receptor

Médicos do hospital Mount Sinai, em Nova York, anunciaram nesta terça-feira (06/04) a realização de um transplante inovador que poderá ajudar pacientes com covid-19 que sofreram danos na traqueia como resultado de intubação.

Segundo o hospital, cirurgiões realizaram o que acreditam ser o primeiro transplante humano completo de traqueia bem-sucedido do mundo.

De acordo com o hospital, é a primeira vez que a traqueia de um doador é transplantada diretamente ao receptor.

A paciente, Sonia Sein, uma assistente social de 56 anos, sofreu danos graves na traqueia depois de ficar intubada por várias semanas por um ataque de asma há seis anos.

Ela recebeu a traqueia do doador, não identificado pelo hospital, no dia 13 de janeiro, em uma operação complexa que durou 18 horas e envolveu mais de 50 especialistas, incluindo cirurgiões, enfermeiros, anestesistas e médicos residentes.

De acordo com o cirurgião e pesquisador Eric Genden, que liderou a equipe, o procedimento pode salvar a vida de pacientes com defeitos congênitos, doenças intratáveis, queimaduras, tumores e danos severos por intubação, incluindo aqueles hospitalizados por covid-19.

Milhares de pessoas morrem todos os anos por falta de soluções de longo prazo para quadros clínicos como estes.

“Pela primeira vez, podemos oferecer uma opção de tratamento viável a pacientes com defeitos traqueais de segmento longo que correm risco de vida”, afirma Genden, que é diretor de otorrinolaringologia e cirurgia de cabeça e pescoço do Mount Sinai e professor da Escola de Medicina Icahn, o braço acadêmico do sistema hospitalar.

“É particularmente oportuno diante do crescente número de pacientes com problemas extensivos na traqueia devido à intubação por covid-19. Tanto por causa da ventilação mecânica quanto pela natureza da doença nas vias aéreas provocada pela covid-19, o número de casos de danos na traqueia vem aumentando”, observa.

A história da paciente

Paciente sentada e rodeada da equipe médica em ambiente hospitalar

Mount Sinai Health System A cirurgia, realizada em janeiro deste ano, durou 18 horas e envolveu mais de 50 especialistas, incluindo cirurgiões, enfermeiros, anestesistas e médicos residentes

Depois que a intubação danificou sua traqueia, Sein passou por uma série de cirurgias para tentar reparar os danos. Mas essas intervenções agravaram ainda mais o problema.

Segundo os médicos, Sein respirava por traqueostomia e corria alto risco de sufocamento e morte por causa da progressão da doença em suas vias aéreas e do risco de colapso da traqueia.

Traqueostomia é como se chama a abertura da traqueia por um orifício para permitir a respiração de pacientes com dificuldades.

“Eu estava nervosa, estava com medo, mas tentei pensar que poderia finalmente ver minha neta e conseguir respirar”, diz Sein sobre a cirurgia, em depoimento divulgado pelo hospital.

Para fazer o transplante, os cirurgiões removeram a traqueia e vasos sanguíneos associados ao órgão do doador e reconstruíram a traqueia na paciente, dos pulmões até a laringe.

Os médicos então conectaram os pequenos vasos sanguíneos que alimentam a traqueia do doador aos vasos sanguíneos da receptora.

Segundo o hospital, os médicos usaram parte do esôfago e da tireóide para ajudar a fornecer sangue à traqueia, o que levou a uma revascularização bem-sucedida.

Com o sucesso da cirurgia, foi possível retirar a traqueostomia, e Sein conseguiu respirar pela boca pela primeira vez em seis anos.

Ela não sofreu complicações e continuará sendo monitorada pelos médicos, que avaliam como está respondendo aos medicamentos para evitar a rejeição.

Desafio

A traqueia é um órgão cilíndrico e em formato de tubo que conecta a laringe aos pulmões e é essencial para a respiração e as funções pulmonares.

Sua parte interna é revestida por cílios e muco, que ajudam a remover partículas poluentes ao transportar o ar para os pulmões.

paciente intubado no Brasil

REUTERS/Amanda Perobelli ‘Tanto por causa da ventilação mecânica quanto pela natureza da doença nas vias aéreas provocada pela covid-19, vem aumentando o número de casos de danos na traqueia’, explica Eric Genden

O transplante de traqueia é considerado um dos mais desafiadores, pela extrema dificuldade técnica de garantir o fluxo sanguíneo ao órgão.

“Durante anos, o consenso médico e científico era de que o transplante de traqueia não podia ser feito, porque a complexidade do órgão tornava a revascularização impossível. Todas as tentativas anteriores de realizar transplante em humanos falharam”, afirma o médico.

Esse tipo de transplante também tem uma história marcada por escândalos.

Uma década atrás, um cirurgião italiano ganhou fama ao implantar traqueias artificiais revestidas de células-tronco dos próprios pacientes.

Mas, posteriormente, foi revelado que muitos de seus pacientes haviam morrido, e ele foi acusado de má conduta médica.

Genden se dedica a pesquisas sobre transplante de traqueia há 30 anos, grande parte deles estudando como revascularizar, ou garantir fluxo de sangue para a traqueia.

“Apesar de extensa pesquisa sobre o suprimento vascular do órgão usando modelos humanos e animais, não há maneira real de se preparar completamente para conduzir o primeiro transplante em humanos desse tipo”, afirma o médico.

Ele diz que a sensação ao ver o resultado positivo após 18 horas de operação foi “uma experiência maravilhosa”.

O cirurgião acredita que o protocolo de transplante e revascularização usado por sua equipe pode ser reproduzido por outros médicos e representar uma opção para pacientes que tiveram a traqueia inteira danificada e até então não tinham tratamento de longo prazo.

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Governo, Estados e Anvisa intensificam conversas sobre compra da Sputnik V

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União Química apresentou na semana passada o primeiro lote da vacina produzida 100% em território nacional; no entanto, ainda não há autorização para o uso emergencial do imunizante no Brasil

Representantes estaduais se encontraram com diretores da Anvisa e cobraram agilidade no processo de aprovação

Governadores voltam a se reunir nesta quarta-feira, 6, com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para estabelecer ações que viabilizem a importação da Sputnik V. Esta terça-feira foi um dia de movimentações para tratativas da liberação do imunizante russo. Ao todo, 12 representantes estaduais se encontraram com diretores da agência e cobraram agilidade no processo de aprovação. Para alguns governadores, a Anvisa tem travado a compra por questões burocráticas. Rui Costa, da Bahia, disse que falta consideração, por parte da agência, com a vida humana. O governador do Piauí, Wellington Dias, destacou a importância da aprovação do imunizante. “A decisão da Anvisa é que garante que a gente tenha condição de em abril ter vacinas da Sputnik V nesse contrato com os Estados e o Ministério da Saúde.”

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que conversou por telefone com o presidente russo Vladimir Putin para tratar da compra da Sputnik V. “Acabei de receber um telefone do presidente Putin, um dos assuntos mais importantes que tratamos aqui é a possibilidade de nós virmos a receber a vacina Sputnik daquele país. Se Deus quiser, brevemente, estaremos resolvendo essa questão da vacina Sputnik. No momento, agradeço o presidente Putin pela maneira que tratou esse assunto com o Brasil”, disse.

O presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, reiterou que vai enviar uma equipe para inspecionar as instalações e condições de produção da vacina. Ele frisou a importância da viagem, mas não disse que seria determinante para liberação da importação. “A visita à Rússia esclarece pontos, busca esclarecer pontos fundamentais. Existem possibilidades de importação excepcional, mas fazem parte de vários dentes dessa engrenagem. Então com certeza essa visita vai ser muito esclarecedora.” A União Química apresentou na semana passada o primeiro lote da vacina produzida 100% em território nacional. No entanto, ainda não há autorização para o uso emergencial do imunizante. O pedido já foi feito pela empresa e segue aguardando o aval da Anvisa.

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Relatório da Fiocruz projeta abril com ‘níveis críticos’ da Covid-19 no Brasil

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Relatório diz que a circulação do novo coronavírus (Sars-Cov-2) e suas variantes segue ‘intensa’ no país e que o sistema de saúde está sobrecarregado

Pesquisadores responsáveis pelo estudo defendem que devem ser adotadas e continuadas medidas urgentes para conter a transmissão

Um Boletim Extraordinário do Observatório Covid-19 da Fiocruz diz que a pandemia pode continuar em “níveis críticos” em abril, o que deve prolongar a crise sanitária que o Brasil atravessa. O alerta leva em conta que a circulação do novo coronavírus (Sars-Cov-2) e suas variantes segue de forma intensa ao redor do país e que a sobrecarga no sistema de saúde, observado através da ocupação de leitos de UTI, não diminuiu. O relatório diz que, ao longo da Semana Epidemiológica 13, a transmissão da Covid-19 no Brasil registrou aceleração. “Devido ao acúmulo de casos, diversos deles graves, advindos da exposição ao vírus ainda no mês de março, o vírus permanece em circulação intensa em todo o país”, afirma o comunicado, que mostra um aumento da taxa de letalidade de 3,3 para 4,2%, sendo que o indicador estava em 2,0% no fim de 2020.

Levando em conta o cenário encontrado na análise, os pesquisadores responsáveis pelo estudo defendem que devem ser adotadas e continuadas medidas urgentes para conter a transmissão e aumento do número de casos, como a adoção de bloqueios sanitários ou lockdowns. Outras medidas defendidas no documento são: proibição de eventos presenciais, suspensão de atividades educacionais presenciais no país, toque de recolher nacional das 20h às 6h, fechamento de bares e restaurantes, adoção do trabalho remoto e ampliação da testagem e acompanhamento de casos. Os pesquisadores pediram ainda união entre os Poderes (Executivo, Judiciário e Legislativo) e suas diferentes instâncias (municipal, estadual e federal) no combate à pandemia. “Coerência e convergência são fundamentais neste momento de crise para que as medidas de bloqueio sejam efetivamente adotadas de forma a sair do estado de colapso de saúde e progredir para uma etapa de medidas de mitigação da pandemia, diminuindo o número de mortes, casos e taxas de transmissão e efetivamente salvando vidas”, disseram.

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Vacinação lenta da covid-19 se choca com a da gripe

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Começa na próxima segunda-feira a imunização anual contra o H1N1, no mesmo momento em que o país está mobilizado para tomar as doses para combater o novo coronavírus. Preocupação de especialistas é com a desorganização, que pode causar atropelos e aglomerações

(crédito: MINERVINO JUNIOR )

Enquanto o ritmo de vacinação contra a covid-19 começa a ser intensificado no Brasil, apesar das dificuldades, o Ministério da Saúde inicia, no próximo dia 12, a campanha anual de imunização contra a gripe. Especialistas ouvidos pelo Correio acreditam que a imunização contra o vírus H1N1 pode reduzir a sobrecarga do sistema de saúde — já que a gripe tem sintomas semelhantes aos da covid-19, que muitas vezes confundem pacientes e médicos —, mas preocupam-se com os desafios que podem surgir com a realização de duas grandes campanhas simultâneas.

A infectologista do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto Anna Christina Tojal acredita que a maior dificuldade que o país encontrará será organizar as pessoas para não causar aglomerações nos postos de saúde e nas salas de vacinação. “A grande dificuldade será organizar esse fluxo de gente. Nesse sentido, acho que seriam importantes as campanhas de esclarecimento, tentando organizar ou sugerir horários para as pessoas irem se vacinar, e disponibilizar postos externos para dar as injeções”, sugeriu.

Mesmo diante do cenário de caos por causa da alta transmissão do novo coronavírus, ela reforça a importância da realização da imunização contra a gripe, que é feita em dose única, em um momento de pandemia. “O que não pode é arriscar termos duas epidemias de vírus respiratórios. Cada município vai precisar pensar no seu jeito para otimizar e evitar as aglomerações”, explicou.

O infectologista da Dasa, Alberto Chebabo, assegura que o Brasil tem a expertise necessária para realizar as duas campanhas. “O desafio maior é ter a estrutura necessária de postos e pessoal para duas campanhas grandes, em um momento em que a imunização contra a covid-19 está sendo intensificada”, observou. A intensificação da distribuição de doses contra a covid-19 é natural, pois a oferta de fármacos contra o novo coronavírus está sendo ampliada no país.

Escalonamento

Como os grupos prioritários da vacinação da gripe e da covid-19 são similares, para evitar choques entre as campanhas, uma das ideias do Ministério da Saúde é não vacinar contra a gripe os idosos nesse primeiro momento, uma vez que quem tem mais de 60 anos está sendo imunizado contra o novo coronavírus. A vacinação contra o H1N1 será feita de forma escalonada e os grupos prioritários serão divididos em três etapas. Assim, aqueles com 60 anos ou mais só receberão a dose da gripe na segunda etapa, junto com os professores, entre 11 de maio e 8 de junho.

Na primeira fase, que ocorre entre 12 de abril e 10 de maio, crianças de seis meses a menores de seis anos de idade, gestantes, puérperas, povos indígenas e trabalhadores da saúde serão vacinados. Já na última etapa, que vai de 9 de junho até 9 de julho, o restante da população incluída no grupo prioritário é que será imunizado. Dessa forma, o Ministério da Saúde pretende distribuir as doses de pelo menos 90% do público-alvo da vacinação contra a gripe, estimado em 79,7 milhões de brasileiros, até 9 de julho.

“Seria muito complicado, neste momento, pegar os idosos, que estão se vacinando contra a covid, e colocar eles na campanha contra a influenza. Até porque você precisa ter um intervalo de pelo menos 14 dias entre as doses dos imunizantes da gripe e da covid-19”, ressalta Chebabo.

O ministério não recomenda a aplicação dos dois medicamentos simultaneamente, pois não existem estudos sobre a coadministração dos imunizantes.

A orientação da pasta é priorizar a imunização contra o covid-19, caso a pessoa esteja incluída nos dois grupos prioritários e possa receber ambas as doses. Nota do ministério salienta que quem faz parte do grupo prioritário para a vacinação contra influenza, e que ainda não foi vacinada contra o novo coronavírus, “deve ser priorizada a dose contra a covid-19 e agendada a contra a Influenza, respeitando um intervalo mínimo de 14 dias entre elas”.

Segundo o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, 25,5 milhões de imunizantes contra a covid-19 estarão disponíveis para a população este mês. Ontem, o Instituto Butantan liberou mais um milhão de doses da CoronaVac e, até o final de abril, entregará mais 8,8 milhões de doses ao Programa Nacional de Imunização (PNI), totalizando 46 milhões de injeções. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) também entregará 18,4 milhões de doses da vacina da Covishield.

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Com nova remessa, Butantan entrega 80% de vacinas previstas para abril

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O segundo lote terá 54 milhões de doses da Coronavac, totalizando as 100 milhões de doses do imunizante, e está previsto para ser repassado até o fim de agosto

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segunda-feira, 12 de abril de 2021

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