A cobrança do imposto sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecida como taxa das blusinhas, evitou a entrada de R$ 4,5 bilhões em produtos importados, ajudando a preservar mais de 135 mil empregos no país, segundo um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgado nesta quarta-feira (22/4).
O estudo, baseado em dados do programa Remessa Conforme, aponta também que a medida contribuiu para manter cerca de R$ 20 bilhões circulando na economia brasileira.
A partir de agosto de 2024, a tarifa de 20% sobre produtos importados foi implementada pela Receita Federal para regulamentar compras em plataformas estrangeiras. Atualmente, a possibilidade de eliminar essa cobrança está em debate.
Segundo o levantamento, a principal consequência da taxação foi a redução das importações de baixo valor. Em 2025, o número de encomendas internacionais caiu 10,9%, passando de 179,1 milhões para 159,6 milhões de remessas.
A CNI estima que sem a taxa, o volume poderia ter alcançado 205,9 milhões de pacotes, uma diferença de 46,3 milhões.
Considerando o valor médio das encomendas, de R$ 96,88, a entidade calcula que a tributação ajudou a reduzir em R$ 4,5 bilhões os gastos com compras do exterior. Este movimento contribuiu para a manutenção de 135,8 mil empregos e R$ 19,7 bilhões na economia, segundo a CNI.
CNI defende a taxa das blusinhas
Marcio Guerra, superintendente de Economia da CNI, explica que a medida não tem o objetivo de prejudicar o consumidor, mas sim equilibrar a concorrência: “Ninguém é contra as importações, que aumentam a competitividade. Mas é preciso que entrem no Brasil em condições de igualdade.”
Os dados indicam um impacto significativo na arrecadação: a receita com imposto de importação sobre essas compras subiu de R$ 1,4 bilhão em 2024 para R$ 3,5 bilhões em 2025, primeiro ano completo da taxação.
A comparação entre períodos antes e depois da implementação mostra que, no primeiro semestre de 2024, entraram 90,2 milhões de remessas no país, número que caiu para 69,1 milhões no mesmo período de 2025, uma retração de 23,4%. Enquanto isso, as importações de bens de consumo aumentaram 20,2%.
A CNI avalia que o programa Remessa Conforme auxiliou na redução de distorções no sistema. Antes, encomendas de até US$ 50 enviadas entre pessoas físicas eram isentas do imposto, mas a regra era frequentemente burlada por subfaturamento, fracionamento de compras e classificações indevidas.
Com o programa, o controle passou a ser feito no momento da compra, com exigência de informações antecipadas e recolhimento de tributos pelas plataformas.
Para a CNI, isso aumentou a fiscalização, reduziu fraudes e aproximou as condições de concorrência entre produtos nacionais e importados.
