A prefeitura de Dourados, no Mato Grosso do Sul, declarou situação de emergência em saúde pública devido ao surto de chikungunya, que tem causado muitos casos e sobrecarregado o sistema de saúde local.
O decreto segue recomendações do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE) e considera o quadro preocupante, com 6.186 casos prováveis notificados e uma taxa de positividade de 64,9%. Até 20 de maio, foram confirmados 2.074 casos, além de 1.212 descartados e 2.900 em análise. Oito mortes foram confirmadas devido a complicações da doença, sendo sete na Reserva Indígena de Dourados.
A medida também leva em conta a superlotação dos hospitais, com leitos ocupados em cerca de 110%, dificultando o atendimento mesmo para casos graves. Em 20 de março, o prefeito Marçal Filho já havia declarado emergência em saúde pública, seguida de emergência em defesa civil nas áreas afetadas. O novo decreto de calamidade tem duração de 90 dias.
A campanha de vacinação começa na próxima segunda-feira (27) e vai atender pessoas de 18 a 59 anos sem contraindicações. O primeiro lote de vacinas chegou no município na noite de 17 de maio. Nos dias 22 e 23 de maio, profissionais de enfermagem passarão por treinamento para identificar contra-indicações, como gravidez, amamentação, uso de remédios que diminuem a imunidade, doenças autoimunes, e outras condições médicas.
Outras restrições incluem não vacinar quem teve chikungunya nos últimos 30 dias, pessoas com febre alta ou que receberam vacinas de vírus vivo recentemente. O objetivo é vacinar pelo menos 27% do público-alvo, cerca de 43 mil pessoas. A avaliação antes da aplicação pode deixar o processo mais lento.
Na sexta-feira (24), as doses serão distribuídas às salas de vacinação, incluindo as unidades indígenas. Haverá um drive-thru no feriado de 1º de maio, das 8h às 12h, no pátio da prefeitura.
No final de março, o Ministério da Saúde liberou R$ 900 mil para ações de vigilância, controle do mosquito Aedes aegypti, melhoria do atendimento e suporte às equipes de saúde em Dourados.
A chikungunya, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, causa inchaço e dor nas articulações, podendo ser grave, com necessidade de internação e até levar à morte. A vacina contra a chikungunya foi aprovada pela Anvisa em abril de 2025 e será aplicada inicialmente em cerca de 20 municípios de seis estados com risco elevado de transmissão.
