O dólar superou a barreira de R$ 5,00 nesta quinta-feira, impulsionado pelo aumento das preocupações internacionais relacionadas ao conflito no Oriente Médio. Investidores têm buscado proteger seus recursos na moeda americana diante das incertezas geopolíticas, especialmente após o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Ghalibaf, deixar as negociações com os Estados Unidos e as tensões crescerem entre Israel e Irã.
O petróleo, refletindo as tensões na região, também registrou alta, com o barril do tipo Brent chegando a US$ 105,07, uma valorização de 3,1% e a quarta alta consecutiva. Esse movimento afeta diretamente o mercado financeiro e os preços da energia no Brasil.
No mercado brasileiro, o dólar fechou cotado em R$ 5,0036, mostrando um crescimento de 0,60% no dia. Apesar de algumas moedas emergentes terem recuado, o real inicialmente apresentou valorização, mas sofreu retração com a aversão ao risco reinante.
De acordo com Marcos Weigt, diretor da Tesouraria do Travelex Bank, “as moedas que mais se valorizaram recentemente, como o real, o peso chileno e o rand sul-africano, apresentaram desvalorização devido à realização de lucros em meio ao conflito no Irã”.
O índice DXY, que mede a força do dólar em relação a uma cesta de moedas fortes, também registrou alta, refletindo a busca por proteção no dólar em tempos de incerteza internacional.
Mercado de ações
O índice Ibovespa apresentou queda de 0,78%, fechando em 191.378,43 pontos, influenciado pelo cenário de alta do dólar e da tensão internacional. Apesar disso, o índice mantém um ganho acumulado de 2,09% no mês e 18,78% no ano.
João Ferreira, sócio da One Investimentos, explica que, apesar das perdas recentes, o Brasil continua atraente para investidores estrangeiros, principalmente devido ao cenário favorável das commodities e aos múltiplos atrativos no mercado de ações brasileiro.
Setores como o financeiro apresentaram perdas, enquanto alguns papéis como Hapvida e WEG se destacaram positivamente na Bolsa.
Juros e títulos públicos
Os juros futuros subiram, refletindo o impacto do aumento do preço do petróleo e das tensões políticas. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 chegou a 14,14%.
O Tesouro Nacional realizou uma forte emissão de títulos prefixados, buscando acomodar a necessidade de financiamento em meio ao cenário desafiador.
Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, destaca que, mesmo com a volatilidade, o Banco Central deve continuar a cortar os juros de forma gradual devido à resiliência da economia.
Marco Antonio Caruso, economista do Santander, ressalta que, embora haja um alívio marginal no cenário externo, o Comitê de Política Monetária deve optar por cortes mais cautelosos nos juros, evitando movimentos maiores neste momento.
O cenário permanece sujeito a desenvolvimentos no conflito do Oriente Médio, o que continuará influenciando os mercados e as decisões econômicas nos próximos dias.
