O Banco Master firmou contratos para oferecer empréstimos consignados a servidores de 105 órgãos públicos, incluindo prefeituras, governos estaduais e entidades de aposentados em todo o Brasil. Essas informações foram fornecidas pela própria instituição ao Banco Central (BC) em março de 2025, durante o processo de tentativa de venda ao Banco de Brasília (BRB), que acabou não se concretizando.
De acordo com documentos do banco controlado por Daniel Vorcaro, o crédito consignado foi o principal impulsionador das operações de varejo da instituição. Essa modalidade de empréstimo foi apontada como um fator chave para a expansão do banco nos anos anteriores.
O crescimento das operações consignadas ficou ainda mais forte após Vorcaro assumir o comando do que antes era Banco Máxima, em 2019, nome que posteriormente foi alterado para Banco Master.
A instituição possuía contratos com o Exército, a Aeronáutica, a Polícia Militar de São Paulo e tribunais de Justiça de estados como Amazonas, Minas Gerais, Bahia e Paraíba. Outros órgãos incluíam a Justiça Federal do Piauí, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, funcionários do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Além disso, institutos de previdência estaduais como São Paulo Previdência (SPPrev), Instituto de Gestão Previdenciária (Igeprev) do Tocantins, Amapá (Amprev) e Paraíba (PBPrev) estavam na lista, assim como previdências municipais de cidades como Santos (SP), Manaus (AM), Cuiabá (MT) e São Gonçalo (RJ).
Contexto da crise do Banco Master
- Entre 2018 e 2023, o banco promoveu sua expansão, aumentando captações e recebendo aportes, passando a ser controlado por Daniel Vorcaro.
- No primeiro semestre de 2024, o Master adquiriu as instituições Voiter, LetsBank e Will Financeira. Nesse período, o BC exigiu um plano de contingência para garantir a liquidez.
- Em julho de 2024, o banco não cumpriu o plano de negócios, previsto para captar R$ 15 bilhões, mas conseguiu apenas R$ 2 bilhões, agravando a crise.
- Em setembro de 2024, o Banco Central identificou falta de capital e problemas na gestão de risco de crédito.
- Em novembro de 2024, o banco suspendeu a concessão de crédito corporativo e assumiu a necessidade de mudanças no controle para evitar o colapso.
- Em janeiro de 2025, Daniel Vorcaro iniciou negociações para vender o banco ao BRB.
- Em fevereiro de 2025, o banco deixou de cumprir exigências de recolhimento compulsório ao Banco Central.
- Entre março e setembro de 2025, buscou apoio do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e Vorcaro vendeu bens pessoais para reforçar o caixa.
- Em setembro de 2025, o BC rejeitou a venda ao BRB, elevando a crise a um nível crítico.
- Dezessete dias depois, Vorcaro apresentou um novo plano ao BC afirmando que o controle seria transferido em até 90 dias.
- Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.
Em carta enviada ao BRB em janeiro de 2025, Daniel Vorcaro informou que, dos 11 milhões de clientes do banco, cerca de 5 milhões eram ligados ao crédito consignado. Em 2024, o banco realizou mais de R$ 3,5 bilhões em operações desse tipo.
Apesar do crescimento, o Banco Central apontou fragilidades na rentabilidade, com custos elevados para sustentar a carteira, incluindo despesas com consultorias e comissões para captação de clientes.
Em 2022, as operações de crédito consignado registraram prejuízo de R$ 25,6 milhões, segundo o BC, resultado que foi amenizado pela venda de carteiras de crédito a outras instituições financeiras.
O banco acumulou quase 15 mil reclamações sobre empréstimos consignados em plataformas governamentais entre 2020 e 2026, com cerca de 9 mil casos registrados em órgãos de defesa do consumidor estaduais.
