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Numa situação rara na política do Brasil, o povo voltou às urnas menos de um ano após a eleição de 1989. Apenas 11 meses separaram o 15 de novembro do ano anterior do 3 de outubro, data em que as 27 unidades federativas votaram simultaneamente, exceto para presidente, já que Fernando Collor deveria cumprir mandato até 1994. Nas eleições de 1990, foram escolhidos governadores, senadores, deputados federais e estaduais, além da primeira eleição para deputados distritais no Distrito Federal.

Figuras conhecidas da política local competiram novamente, com cinco partidos apresentando candidatos ao governo do Distrito Federal. O objetivo era ocupar o cargo pela primeira vez via voto direto. Joaquim Roriz, então ex-governador biônico, renunciou para disputar as urnas e reconquistar o cargo. Valmir Campelo desistiu da disputa ao governo para ser candidato ao Senado na chapa de Roriz.

Candidataram-se também Carlos Saraiva (PT), Maurício Corrêa (PDT), Elmo Serejo (PL) e Adolfo Lopes (PTdoB). A disputa para o Senado contou com nomes como Lauro Campos (PT), Lindberg Cury (PMDB) e Pompeu de Sousa (PSDB).

A campanha eleitoral apresentou disputas acirradas, com Roriz focando seu maior rival Serejo, considerando sua influência e as obras no DF. A eleição animou a população candanga, que participou em grande número: 86,9% compareceram para votar, superando a média nacional de 85,8%.

Roriz venceu a eleição com pouco mais de 360 mil votos, garantindo a vitória no primeiro turno. Carlos Saraiva ficou em segundo, seguido por Elmo Serejo e Maurício Corrêa. Valmir Campelo conseguiu a vaga no Senado com mais de 290 mil votos, distanciando-se do segundo colocado em mais de 80 mil votos.

A eleição para a Câmara dos Deputados trouxe surpresas, com Augusto Carvalho (PCB) sendo o mais votado com 42,9 mil votos. Também foram eleitos Paulo Octávio (PRN), Osório Filho (PFL), Jofran Frejat (PFL) e Sigmaringa Seixas (PSDB).

Com a resolução do Executivo e da representação federal, a atenção voltou ao Legislativo local, antes inexistente devido à falta de autonomia. Roriz mostrou preocupação com a Câmara Legislativa, que até então não tinha sede própria nem estrutura adequada.

Roriz tomou posse em 1º de janeiro de 1991, enfrentando desafios desde o início, incluindo uma forte chuva durante a cerimônia no Palácio do Buriti. Eventos previstos, como queima de fogos e shows, foram cancelados.

Autonomia política e Parlamento do Distrito Federal

As eleições de 1990 foram importantes também por eleger os primeiros 24 deputados distritais ao novo parlamento local. Isso representou um avanço na autonomia política do Distrito Federal, que passou a contar com seus próprios representantes para cuidar das questões da cidade.

A Constituição Federal de 1988 garantiu direitos políticos e a criação do Legislativo local, algo muito esperado pela população após anos sem representação direta. A primeira legislatura foi marcada por incertezas, pois os deputados iniciaram seus mandatos sem regimentos internos ou claras definições de suas funções.

Maria de Lourdes Abadia (PSDB) foi uma das primeiras deputadas distritais eleitas, focando em beneficiar as cidades satélites do Distrito Federal, enquanto outros parlamentares importantes como Carlos Albertos Torres (PCB) e Geraldo Magela (PT) também marcaram presença.

Improvisos

A primeira sede da Câmara Legislativa foi um prédio improvisado no final da Asa Norte, antigo espaço da Embrater, usada por cerca de 20 anos até a mudança para a nova sede, inaugurada em 2010 no Eixo Monumental. A primeira cerimônia de posse dos deputados ocorreu no auditório Petrônio Portella, do Senado Federal.

O principal desafio inicial foi a elaboração do Regimento Interno, adotando provisoriamente o regimento do Senado até a conclusão do documento em 1991. Entre os primeiros projetos aprovados estava a criação da Secretaria de Articulação para o Desenvolvimento do Entorno, nomeada para cuidar das áreas vizinhas ao DF.

Nomes importantes

Entre os deputados destacados estavam Maria de Lourdes Abadia, que mais tarde teria um papel de destaque na política local, e outros políticos influentes como Geraldo Magela e Agnelo Queiroz (PT), além de Jorge Cauhy (PL), que teve vários mandatos e deixou seu nome em homenagem na Vila Cauhy.

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