MAELI PRADO E ISADORA ALBERNAZ
FOLHAPRESS
O ministro da Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, informou nesta terça-feira (2) que a proposta recente do governo do então presidente Donald Trump, que sugere tarifas de 25% sobre produtos do Brasil, afetará 21% das exportações brasileiras para os Estados Unidos.
Atualmente, 25% dos produtos brasileiros exportados para os EUA já enfrentam tarifas extras baseadas na Seção 232, que inclui aço, alumínio e peças automotivas. Outros 54% das exportações estão livres de tarifas. A nova sugestão de tarifas é resultado de uma investigação comercial americana fundamentada na Seção 301.
O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) abrirá uma consulta para que a iniciativa privada opine antes da finalização do relatório, que deve ser divulgado até 15 de julho.
“Vamos trabalhar neste prazo até 15 de julho. Agora começa a fase das consultas públicas”, afirmou Rosa em entrevista.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) declarou que o governo Lula (PT) considera a proposta dos EUA injusta e manifestou indignação. Ele também criticou aqueles que, segundo ele, priorizam interesses eleitorais em detrimento do interesse público.
“Sempre que surgem avanços no diálogo, alguns falsos patriotas colocam interesses eleitorais acima dos interesses da nação”, disse. “A recomendação é inadequada, e o governo do presidente Lula trabalhará para que ela não seja implementada”, complementou.
Além de Alckmin e Rosa, participaram da reunião ministros como Dario Durigan (Fazenda), Bruno Moretti (Planejamento), Sidônio Palmeira (Secom), além do embaixador Maurício Lyrio, representante do Ministério das Relações Exteriores.
O economista Sergio Vale, da consultoria MB Associados, destacou que os principais produtos afetados serão máquinas e equipamentos (US$ 2,36 bilhões em exportações no ano anterior), madeira e produtos manufaturados (US$ 1,24 bilhão em 2025) e produtos elétricos, como transformadores (cerca de US$ 920 milhões). Ele estimou que 27% das exportações brasileiras para os EUA serão impactadas.
“Os produtos industrializados foram os mais atingidos, especialmente máquinas e equipamentos”, explicou.
Segundo o economista, as isenções listadas na investigação da Seção 301 correspondem a US$ 21,2 bilhões, ou 56,3% do total de US$ 37,7 bilhões vendidos pelo Brasil aos EUA no ano passado.
Outros 16,8% das exportações estão sendo avaliados pela Seção 232, envolvendo produtos como aço, veículos, autopeças, alumínio e derivados de cobre. Estes não estão nem isentos nem sujeitos à nova tarifa.
Sergio Vale comentou que, embora o presidente americano acredite que tais tarifas incentivem a produção interna, elas acabam encarecendo os produtos para os consumidores dos EUA e prejudicando a eficiência econômica do país.
Ele destacou que, idealmente, a política deveria evitar taxar produtos que causam inflação imediata por não terem substitutos locais, mas, mesmo assim, persiste a ideia errada de que os EUA produzirão mais dos bens que deixarem de comprar do Brasil.
Vale ressaltou que o momento é oportuno para o Brasil buscar novos mercados.
A investigação da Seção 301 contra o Brasil, conduzida pelo USTR, levou à proposição da tarifa de 25% sobre importações brasileiras como resposta a práticas comerciais americanas consideradas injustas.
A decisão final sobre a aplicação das tarifas cabe ao presidente dos EUA. O USTR iniciará consultas com o setor privado antes da publicação do relatório definitivo, prevista para 15 de julho.
O plano exclui uma lista extensa de bens estratégicos para a economia dos EUA, cujas ofertas internas são insuficientes, como vários alimentos e produtos agropecuários (carne bovina, suco de laranja, castanhas, cocos, frutas tropicais) e a indústria aeronáutica.
