Oito em cada dez mulheres muçulmanas no Brasil enfrentam preconceito e ataques por causa da islamofobia, conforme revela a terceira edição do Relatório de Islamofobia do Brasil, elaborado pelo Grupo de Antropologia em Contextos Islâmicos e Árabes (Gracias), da Universidade de São Paulo (USP).
A pesquisa avaliou os relatos de 328 mulheres, tanto sunitas quanto xiitas, incluindo brasileiras de famílias islâmicas tradicionais, brasileiras que adotaram a fé muçulmana, estrangeiras nascidas muçulmanas e estrangeiras convertidas. Entre as brasileiras convertidas, 84,5% relataram sofrer islamofobia, enquanto 80,4% das brasileiras de famílias islâmicas tradicionais também foram vítimas. As estrangeiras convertidas e nascidas muçulmanas registraram taxas de 75% e 60%, respectivamente.
Os ataques acontecem principalmente nas ruas, na internet e no trabalho. Muitas brasileiras convertidas afirmam que as mulheres muçulmanas são discriminadas no país. Os relatos incluem casos de depressão, ansiedade, mudança de carreira, insultos ligando mulheres muçulmanas ao terrorismo e até demissões relacionadas ao uso do véu e à religião.
A coordenadora do Gracias, professora Francirosy Campos Barbosa, destaca que a mídia pouco aborda o Islã e os muçulmanos. Segundo ela, o uso do véu não limita o pensamento nem torna as mulheres ignorantes, podendo simbolizar liberdade, escolha e fé.
O estudo também revela que poucas mulheres procuram a polícia para denunciar: apenas 6% das brasileiras convertidas fazem boletim de ocorrência, contra 8,7% das brasileiras de famílias muçulmanas, pois não confiam na investigação das denúncias.
No ambiente digital, o Instagram lidera os casos de agressões, com 120 relatos (74,5%), seguido pelo Facebook e WhatsApp com 55 cada (34,2%), TikTok com 27 (16,8%) e X com 12 (7,5%). Os pesquisadores associam a maior exposição no Instagram à visibilidade da aparência, rotina e práticas religiosas, e no Facebook à polarização de comunidades.
A empresa Meta afirma que não permite conteúdo que incite ataques baseados em características protegidas e remove essas publicações quando identifica violações. O TikTok não respondeu aos questionamentos da Agência Brasil, e a reportagem não conseguiu contato com o X até o momento.
