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quarta-feira, 24/06/2026

Dólar cai e fecha abaixo de 5,15 reais com ações do BC

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Em Brasília

O dólar começou a semana com uma leve queda no Brasil, retornando parte do aumento de mais de 2% da semana anterior, devido a ajustes no mercado e realização de lucros. A diminuição dos riscos geopolíticos, após avanços nas conversas entre Estados Unidos e Irã, também ajudou, assim como a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) adote uma postura mais rígida em sua ata.

O Banco Central fez uma intervenção no mercado vendendo US$ 1 bilhão à vista e comprando US$ 1 bilhão em dólar futuro, o que pode ter fortalecido o real. Apesar disso, o mercado de câmbio doméstico tem apresentado estabilidade, sem sinais de pressão na taxa de juros em dólar.

Desde o início das operações, o dólar à vista registrou queda de 0,45%, cotado a R$ 5,1415, com uma mínima de R$ 5,1241 durante a tarde. No mês de junho, a moeda americana subiu 1,96% em relação ao real, mas acumula perda de 6,33% no ano.

Marcos Weigt, diretor de Tesouraria do Travelex Bank, acredita que o Banco Central realizou a operação conjunta para atender a uma demanda pontual e reduzir o estoque de swaps cambiais, com o mercado permanecendo estável em termos de cupom cambial.

O real, desde maio, tem se desvalorizado mais que outras moedas emergentes, como o rand sul-africano, peso mexicano e peso chileno. Segundo Weigt, isso pode estar relacionado à melhora nas pesquisas eleitorais do presidente Lula e à pressão sobre os juros nos Estados Unidos. Ele também observa que, apesar das perdas, acredita ser mais vantajoso apostar na queda do dólar em relação ao real nesta faixa de preço.

A valorização do dólar ficou impulsionada globalmente pela postura firme do novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh. Parte da desvalorização do real na semana anterior foi causada por incertezas geradas pelo comunicado do Copom, que cortou a taxa básica de juros para 14,25% e alterou seu horizonte de política monetária.

Alexandre Viotto, head de banking da EQI Investimentos, destaca que a expectativa é que a ata do Copom possa aclarar dúvidas e que não há previsão de retorno do dólar para R$ 5,00, mantendo uma expectativa de dólar entre R$ 5,15 e R$ 5,20.

Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, prevê o dólar oscilando entre R$ 5,06 e R$ 5,25 na semana, indicando que a operação do Banco Central pode aliviar a pressão sobre o real, que é favorecido por juros elevados apesar da força global do dólar.

O índice DXY, que mede a força do dólar frente a outras moedas fortes, subiu 0,18%, refletindo a valorização da moeda americana em junho.

Mercado de ações

A melhora nas relações entre Estados Unidos e Irã trouxe maior apetite por risco nos mercados, com o Ibovespa subindo mais de 1%, recuperando pontos e atraindo fluxo estrangeiro, embora com volume financeiro moderado.

O petróleo Brent caiu, mas ações da Petrobras e de grandes bancos avançaram, influenciadas por investidores estrangeiros que buscam liquidez e prioridade em dividendos.

Ian Lopes, da Valor Investimentos, relaciona a alta do Ibovespa ao fluxo estrangeiro, pois o mercado doméstico carece de estímulos internos no momento.

O Citi aponta que o valuation do Ibovespa parece descontar um pessimismo excessivo, dado o cenário geopolítico e as opções da política monetária brasileira.

Marcelo Boragini, especialista da Davos, ressalta que, apesar da alta, o volume financeiro ainda é baixo, indicando que investidores aguardam desdobramentos econômicos.

A expectativa pelo andamento das negociações com o Irã contribui para a incerteza e volatilidade no mercado.

Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, observa que as negociações com o Irã avançam, mas ainda não há confirmação sobre supervisão internacional ao programa nuclear do país, causando dias de otimismo e outros de tensão no mercado.

Para terça-feira, aguarda-se a ata da reunião do Copom. A projeção do boletim Focus indica inflação elevada e taxa Selic prevista em 14,00% ao ano para o fim de 2026.

Boragini sugere que o mercado ainda tenta compreender o tom mais brando adotado pelo Copom na última decisão, apesar das pressões inflacionárias.

Trevisan considera justificável a alta do Ibovespa impulsionada pelo setor financeiro, embora alerte para os riscos dos juros elevados prolongados.

O Ibovespa finalizou o dia em alta, acumulando queda no mês de junho, mas crescimento no ano.

Juros

Os juros futuros caíram, impulsionados pela diminuição das tensões no Oriente Médio, cancelamento de leilão de títulos e expectativas sobre a ata do Copom.

As taxas para os contratos de DI de 2027 a 2031 tiveram ligeira queda.

A curva de juros perdeu inclinação, principalmente nas pontas mais longas, refletindo melhor apetite ao risco no exterior e queda nos preços do petróleo.

Acordos recentes entre Estados Unidos e Irã para reduzir operações militares e permitir inspeções nucleares ajudam a melhorar perspectivas.

Marco Mecchi, diretor de Investimentos da Azimut Wealth Management, destaca que a expectativa de fluxo livre de petróleo é crucial para tranquilizar o mercado de juros, além da decisão do Tesouro de cancelar leilão, evitando taxas reais de juros muito altas.

O mercado aguarda que o Banco Central esclareça a opção pelo corte da Selic para 14,25% e espere que a comunicação futura seja mais clara e firme.

Luiz Carlos Corrêa, sócio da Nexgen Capital, vê o movimento atual dos juros como um alívio pontual, com o mercado aguardando mais informações no curto prazo.

Em geral, os juros locais se movimentaram em sentido contrário aos Treasuries americanos, que sofreram impacto da política hawkish do Fed e das expectativas de inflação.

Conteúdo fornecido por Estadão Conteúdo.

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