O relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre a autonomia do Banco Central, Plínio Valério (PSDB-AM), afirmou que não aceitará uma nova emenda que aumente a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), conhecida como “emenda Master”.
A declaração foi dada após o presidente do Progressistas, Ciro Nogueira (PP-PI), divulgar um vídeo em sua defesa após uma operação policial que o investigou por suposto envolvimento no caso do Banco Master. Segundo a Polícia Federal, Ciro teria recebido propina e atuado em favor dos interesses do banqueiro no Senado, incluindo a tentativa de aumentar a cobertura do FGC.
“Se ele reapresentar a emenda, eu vou rejeitar. Pelo mesmo motivo que rejeitei a outra. A emenda dele não tem chance de aprovação, pois não está relacionada ao mérito da PEC. Ele tem o direito de apresentar, mas como relator, comigo ela será rejeitada”, afirmou Plínio Valério.
Em 2025, Ciro Nogueira apresentou uma emenda para elevar o teto do FGC dos atuais R$ 250 mil para R$ 1 milhão. As investigações indicam que a proposta foi escrita por assessores do Banco Master. Conversas interceptadas mostram que a emenda foi feita conforme instruções do banqueiro.
Ciro defendeu a sua atuação e explicou que a cobertura atual beneficia apenas os grandes bancos, não os correntistas, que são as pessoas comuns com economias guardadas ao longo da vida.
“Decidi apresentar a emenda corrigindo o valor do FGC, que deveria estar acima de R$ 800 mil pela Selic. Com a saída do Banco Master, quero ver qual será a justificativa para negar essa proteção aos correntistas brasileiros”, declarou o senador.
A PEC da autonomia do Banco Central está em análise na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. A proposta visa transformar a instituição em uma empresa pública especial, com independência administrativa, financeira e orçamentária, além de autonomia operacional garantida por lei desde 2021.
