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domingo, 19/04/2026

Registros de operações suspeitas no Coaf crescem muito em cinco anos

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O número de registros de operações suspeitas enviados ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) pelos bancos aumentou muito nos últimos cinco anos, com um crescimento de 382% nesse período, conforme dados oficiais.

Esse aumento significativo começou a se intensificar a partir de 2020, impulsionado pela digitalização acelerada do sistema financeiro e pelo surgimento de novas formas de pagamento.

As comunicações são feitas por instituições financeiras e outros setores que precisam reportar movimentações atípicas, visando prevenir a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo.

O Banco Central (BC) atribui esse crescimento ao aprimoramento dos sistemas de monitoramento adotados pelas instituições financeiras. Investimentos em tecnologia e análise de dados ampliaram a capacidade de identificar operações suspeitas, aumentando o número de registros ao Coaf.

Segundo o BC, não há evidências que liguem o aumento dos registros a meios de pagamento como o Pix, nem mudanças regulatórias relevantes que possam justificar diretamente essa alta.

Dados anuais de registros ao Coaf

  • 2020: 248.878
  • 2021: 437.192
  • 2022: 703.745
  • 2023: 990.507
  • 2024: 1.164.960
  • 2025: 1.199.644
  • 2026 (até 1° de abril): 345.620

Apesar do aumento expressivo, o Banco Central alerta que as avaliações sobre operações suspeitas não se baseiam apenas na quantidade de registros. A instituição não faz previsões específicas sobre o volume dessas comunicações.

Especialistas ouvidos indicam que o crescimento reflete a combinação de fatores como a expansão das transações digitais, maior rigor nos processos de conformidade e o uso intenso de ferramentas automatizadas para monitorar operações.

Isso significa que o aumento das comunicações não necessariamente indica mais irregularidades, mas sim uma melhor capacidade do sistema financeiro de identificar operações fora do padrão.

Pedro Simões, sócio da área Penal Empresarial do Veirano Advogados, destaca que esse aumento é compatível com a mudança institucional significativa iniciada em 2020 e o crescimento do mercado, com mais agentes e operações.

“Analisando o aumento dos registros, não parece que houve algo inexplicável. O que houve foi uma mudança normativa grande e constante nesse período”, explicou.

Flavio El Ackel, advogado especialista em Direito Tributário e Constitucional, aponta que o crescimento nas comunicações se deve às novas diretrizes de conformidade, aumento da fiscalização e pressão internacional por rigor maior nas operações.

“Há também fatores econômicos e operacionais, como o aumento do dólar e da inflação, e o uso em massa de Inteligência Artificial e integração de setores como criptomoedas”, destacou.

O Coaf preferiu não comentar os dados divulgados.

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