FELIPE MENDES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) aceitou o pedido de recuperação judicial da Fictor na noite de sexta-feira (17). As empresas Fictor Holding e Fictor Invest, que fazem parte do mesmo grupo, informaram dívidas que somam R$ 4,2 bilhões. Agora, têm até 60 dias para apresentar um plano de pagamento aos credores.
A Fictor ganhou destaque em novembro de 2025 ao fazer uma proposta para comprar o banco Master, do empresário Daniel Vorcaro, que está preso em uma operação da Polícia Federal. Desde então, a empresa enfrentou uma crise e seus clientes retiraram cerca de R$ 3 bilhões de investimentos. Naquela época, a Fictor ainda era uma das principais patrocinadoras do Palmeiras.
De acordo com a juíza Fernanda Perez Jacomini, pendências envolvendo outras empresas do grupo, como a Fictor Alimentos, serão esclarecidas durante o processo.
O grupo de procuradores destacou que, devido à crise financeira severa e à complexidade do grupo Fictor, recomendou o processamento da recuperação judicial e a união das duas principais empresas do grupo, com atenção especial à Fictor Alimentos.
A Justiça suspendeu cobranças e execuções de dívidas por até 180 dias, conforme o documento da juíza.
A Fictor entrou com o pedido em fevereiro. Antes, a Justiça havia dado liminar suspendendo ações contra os bens das empresas do grupo, mas determinou uma avaliação detalhada da situação financeira por peritos.
A Laspro Consultores foi nomeada para administrar o processo, e a PwC (PriceWaterhouseCoopers) será responsável pelo monitoramento, apresentando um relatório inicial em quinze dias.
A juíza ressaltou que o pedido de recuperação judicial visa proteger os direitos dos credores da Fictor.
Ela explicou que a aprovação do pedido é necessária para manter as atividades do grupo, e que negar poderia levar à falência do grupo, prejudicando também os credores.
Mais de 13.000 clientes e fornecedores estão listados no processo, a maioria pessoas físicas que investiram na empresa. Esse número é similar ao da recuperação judicial da Americanas, que tem mais de 16.000 credores.
