FOLHAPRESS
O edifício Peixoto Gomide, localizado nos Jardins, uma área nobre de São Paulo, foi encontrado em condições muito ruins após 20 anos com ocupação irregular. A reintegração de posse aconteceu na manhã desta quarta-feira (6).
O prédio tinha 33 famílias vivendo em condições precárias, compartilhando espaços no edifício art-déco construído na década de 1950, na esquina das ruas Oscar Freire e Peixoto Gomide.
Com autorização dos donos, fomos ao prédio por volta das 8h30. Encontramos roupas, móveis, restos de comidas e quadros ainda no local, sinais das famílias que ali moravam.
Algumas áreas apresentavam poças de água, inscrições nas paredes e pisos danificados. O último andar tinha buracos no teto onde a luz do sol entrava e um pátio interno servia como depósito de lixo.
Antes da chegada da Polícia Militar, as famílias deixaram o prédio e foram para outras ocupações ou casas de parentes, segundo representantes do Centro Gaspar Garcia, que acompanha o caso pelo Ministério Público.
A prefeitura, sob comando do prefeito Ricardo Nunes (MDB), informou que está pagando auxílio-aluguel às famílias e oferecendo acesso a serviços sociais, como o CRAS Pinheiros, além de programas de transferência de renda e suporte educacional para as crianças.
Álvaro Moreira, 87 anos, representante da Santa Alice, construtora que possui sete das nove unidades do prédio, acompanhou a reintegração. Ele descartou a demolição e pretende reformar os apartamentos para alugá-los novamente.
Segundo Moreira, o prédio voltará a ser residencial. Ele destacou que fará a reforma das unidades da Santa Alice, enquanto os outros dois proprietários cuidarão das suas respectivas unidades.
Moreira chegou ao local por volta das 7h40, com atraso, o que gerou reclamações da prefeitura. Ele solicitou que a Polícia Militar fizesse a segurança do imóvel até o fechamento com muros.
Um capitão da PM explicou que, a partir daquele momento, a segurança é responsabilidade dos proprietários. Caso haja nova invasão, a remoção só ocorre durante a ação da polícia, e para retirar moradores estabelecidos como moradia é necessário outro mandado judicial.
A justiça informou que a ocupação do edifício foi incentivada pelo dono majoritário, em meio a disputas judiciais. A Santa Alice nega, dizendo que o prédio foi invadido por moradores de rua enquanto seu dono estava fora do estado.
A construtora afirma ter sofrido prejuízos por 20 anos e é autora de uma ação para reintegração de posse.
Há 26 anos, a Santa Alice iniciou a compra de apartamentos com o plano de demolir o prédio para construir um edifício de luxo, mas dois proprietários resistem em vender suas unidades: a psicóloga Mathilde Neder e o empresário Ricardo Thomé.
Thomé declarou ter vendido sua unidade há dez anos, mas não para a Santa Alice, e não revela o nome do comprador.
Já uma pessoa próxima a Mathilde confirmou que a construtora ainda tenta comprar sua unidade, mas o valor oferecido é considerado muito baixo.
