CARLOS VILLELA
FOLHAPRESS
A polícia do Rio Grande do Sul indiciou oito adolescentes que fizeram e compartilharam uma lista com classificações sexuais de estudantes de um instituto federal em Pelotas. Os jovens, entre 15 e 17 anos, vão responder por ato infracional parecido com o crime de cyberbullying.
Como são menores, os nomes não foram divulgados pela polícia ou pela escola, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente. A defesa dos envolvidos não foi localizada para comentar o caso.
O campus do Instituto Federal Sul-Riograndense (IFSul) em Pelotas afastou os alunos logo após o caso ser descoberto. O IFSul informou que espera o resultado das apurações para dar um posicionamento oficial.
“Os estudantes continuam afastados e estão estudando em casa com apoio da instituição”, disse o IFSul por meio da assessoria.
A investigação foi finalizada em 30 de abril pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Pelotas.
A delegada Lisiane Mattarredona, encarregada do caso, afirmou que aguardam a perícia para descobrir se houve outras infrações. Até agora, só o cyberbullying está sendo investigado.
A lista foi compartilhada pela primeira vez no dia 21 de março.
Segundo as denúncias, os jovens criaram uma lista com fotos das estudantes e classificaram elas com termos de conteúdo sexual, passando essa lista para outros alunos por aplicativos de mensagens.
A lista incluía fotos de 29 meninas e um menino.
Foi cumprido mandado de busca e apreensão nas casas dos adolescentes e os aparelhos eletrônicos foram analisados pela polícia.
A lei que criminaliza o cyberbullying começou a valer em janeiro de 2024 e prevê multas ou prisão de dois a quatro anos para maiores de idade, dependendo do caso.
O IFSul informou que as estudantes afetadas receberam acompanhamento psicológico e social, e que a escola também conversou com os pais para apoiar as vítimas.
A escola iniciou ações para conscientizar sobre cyberbullying e misoginia. Em 29 de abril, houve uma palestra para professores e funcionários sobre assédio moral e sexual.
Em 6 de maio, acontecerá um evento promovido pelo clube de física da escola para discutir o papel das mulheres na ciência e o combate ao assédio em ambientes de pesquisa.
