ALÉXIA SOUSA
RIO DE JANEIRO, JR (FOLHAPRESS)
A Polícia Civil do Rio de Janeiro realizou uma operação para investigar um grupo suspeito de causar danos físicos a pacientes que fizeram procedimentos estéticos para melhorar a aparência dos glúteos na Baixada Fluminense.
Até agora, pelo menos 15 pessoas relataram à polícia que ficaram com problemas de saúde depois do tratamento. A Delegacia do Consumidor (Decon) está apurando se os problemas foram causados pelo uso de uma substância chamada PMMA (polimetilmetacrilato) ou por contaminação durante as aplicações. A polícia acredita que pode haver mais vítimas.
A investigação envolve vários inquéritos ligados ao Instituto Paula Lima. A polícia aponta que há indícios do uso de substâncias que podem causar sérios danos à saúde, incluindo deformidades permanentes e até risco de morte.
A operação chamada Estética Segura teve como objetivo coletar novas provas, aprofundar a investigação e identificar todos os responsáveis. Mandados de prisão e busca foram cumpridos em locais relacionados à empresária Ana Paula Lima de Souza Mariano, apontada como dona da clínica investigada.
Ana Paula teve a prisão decretada pela Justiça, mas não foi encontrada e está foragida. Ela é investigada por crimes contra a saúde pública, relações de consumo, associação criminosa, exercício ilegal da medicina e propaganda enganosa.
A polícia não sabe se Ana Paula tem advogado constituído e não conseguiu contato com sua defesa.
Os agentes cumpriram mandados em duas unidades da clínica, localizadas em Madureira, zona norte do Rio, e em Vilar dos Teles, distrito de São João de Meriti, além de outros endereços ligados à investigada na Barra da Tijuca, Olaria e Belford Roxo.
Durante as buscas, foram apreendidos medicamentos vencidos, materiais usados nos procedimentos e equipamentos eletrônicos para perícia. Parte dos produtos foi encontrada na unidade de São João de Meriti.
No mês anterior, a clínica já havia sido interditada após uma fiscalização conjunta da Decon com a Vigilância Sanitária, que encontrou várias irregularidades, incluindo medicamentos e soros fora do prazo de validade. Uma assistente da empresária foi presa na ocasião.
A investigação começou depois que pacientes denunciaram complicações após os procedimentos estéticos para harmonizar os glúteos. Segundo o delegado responsável, Wellington Vieira, o custo médio do procedimento era cerca de R$ 10 mil.
Há suspeita do uso do PMMA, que é um material sintético usado para aumentar volume em áreas do corpo, como glúteos e rosto. Essa prática é questionada por entidades médicas devido aos riscos graves de complicações.
Recentemente, o Conselho Federal de Medicina proibiu o uso do PMMA por médicos em procedimentos estéticos e reparadores, com exceção para tratamento de lipodistrofia em pacientes com HIV/Aids em centros especializados.
O PMMA, uma vez aplicado, permanece no corpo permanentemente e pode causar reações meses ou anos depois. Pode formar nódulos inflamatórios e levar a problemas severos como insuficiência renal crônica.
A Polícia Civil orienta que quem teve problemas após procedimentos na clínica procure uma delegacia para registrar a ocorrência.
