O dólar fechou em alta de 0,10%, cotado a R$ 5,0668 nesta segunda-feira, 15, mesmo com o recuo dos preços do petróleo após acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã que prevê a reabertura do Estreito de Ormuz. Pela manhã, a moeda norte-americana chegou a cair, mas ganhou força no fim do dia.
O cenário positivo para ativos de risco foi influenciado pela diminuição das tensões geopolíticas, porém o real perdeu um pouco do fôlego devido a ajustes internos e fluxo de saída da bolsa brasileira. Investidores alteraram posições favoráveis ao real, pois o Brasil é exportador de petróleo.
A cotação máxima do dólar chegou a R$ 5,0743, enquanto na semana passada houve queda de 1,86%. No acumulado de 2026, o dólar avança 0,47%, após alta de 1,82% em maio, e demonstra perda de 7,69% frente ao real no ano, que é uma das moedas com melhor desempenho.
Chris Turner, estrategista do banco ING, mantém visão neutra sobre o real, destacando que a moeda brasileira sofreu com o estresse no mercado de juros e a liderança de Lula nas pesquisas eleitorais. Ele ressalta que apostar contra o real é arriscado devido aos juros altos, ao fato do Brasil ser exportador de energia e às expectativas de aumento nas divisas do setor agrícola.
O petróleo teve forte queda, com o Brent para agosto em US$ 83,17 por barril, baixa de 4,76%, devido à perspectiva de cessar-fogo e reabertura do Estreito de Ormuz. Apesar do acordo, analistas apontam algumas fragilidades no entendimento entre os países.
Iana Ferrão, economista do BTG Pactual, observa que o real apresenta o melhor desempenho entre moedas emergentes, ao lado do peso colombiano, ambos beneficiados pela exportação líquida de energia. Contudo, a volatilidade da moeda brasileira permanece alta comparada aos pares, deixando a taxa de câmbio suscetível a oscilações.
Na bolsa, o Ibovespa subiu mais de 1,8% pela manhã com otimismo sobre o acordo, mas fechou em queda de 0,42%, pressionado pela saída de investidores estrangeiros, especialmente do setor de tecnologia e de ações ligadas ao petróleo. A Petrobras teve queda significativa, enquanto a Vale subiu.
O acordo preliminar, assinado eletronicamente pelos EUA, tem validade de 60 dias e promete maior estabilidade na região, o que impacta positivamente na inflação e política monetária brasileira, segundo o economista Bruno Perri, da Forum Investimentos. Apesar disso, investidores seguem atentos aos detalhes finais do acordo que será formalizado na sexta-feira, 19.
Os juros futuros caíram devido ao maior apetite ao risco, pois a resolução do conflito no Oriente Médio reduz a pressão inflacionária e aumenta expectativas de corte da Selic pelo Copom. As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro para os próximos anos tiveram recuo modesto.
André Muller, economista da AZ Quest, afirma que o acordo diminui os prêmios de risco globais, mas o foco principal do mercado permanece no Copom. Ele destaca que a chance de corte de 25 pontos-base na Selic é alta, porém sem indicação clara sobre novos cortes.
Jason Vieira, da Lev Investimentos, comenta que o acordo ajuda a justificar o corte na Selic, especialmente nos vencimentos mais longos da curva, apesar do dólar não ter caído como esperado.
Em relação à inflação, as expectativas para os próximos anos sofreram leve alta, mas continuam distantes do teto da meta. A estimativa da Selic para o fim de 2026 subiu para 13,75%.
O acordo preliminar entre EUA e Irã traz otimismo ao mercado, reduzindo incertezas e fortalecendo condições para ativos de risco no Brasil, mas com cautela quanto à volatilidade e cenário fiscal.
